O facto de os inquiridos considerarem prematura a posição assumida pelo Partido Socialista não significa que defendam um voto contra a proposta do Governo. Existe, entre os portugueses, uma preocupação com a estabilidade política.

O que está em causa é, sobretudo, o momento escolhido para anunciar a decisão.

José Luís Carneiro justificou a abstenção do PS, que viabilizou a aprovação do Orçamento do Estado para 2027, com a necessidade de salvaguardar o interesse nacional e evitar uma nova crise política.

"O PS não vai deixar Portugal sem Orçamento e sem Governo. Seria uma irresponsabilidade", afirmou o secretário-geral socialista, fazendo questão de esclarecer que "este não é e nunca seria" o Orçamento do Partido Socialista.

Saúde e habitação lideram as preocupações dos portugueses

Quanto às prioridades que o Governo deverá assumir, a sondagem da Intercampus coloca a saúde e a habitação no topo da lista, bastante à frente de outras questões que também preocupam os portugueses.

Na saúde, persistem problemas estruturais que se arrastam há vários anos sem uma resposta satisfatória. Os longos tempos de espera nos serviços de urgência e a falta de médicos de família, que afeta mais de 1,3 milhões de utentes, continuam a ser dois dos exemplos mais evidentes das dificuldades enfrentadas pelo Serviço Nacional de Saúde.

Acresce que a verba atribuída ao Ministério da Saúde no Orçamento do Estado para 2027 é inferior à prevista no Orçamento de 2026, uma circunstância que suscita interrogações quanto à capacidade de resposta do setor.

A habitação enfrenta igualmente problemas para os quais tardam soluções eficazes. Os preços de aquisição dos imóveis continuam a aumentar, acompanhados pela subida das rendas, agravando as dificuldades de acesso a uma casa, sobretudo entre os jovens e as famílias com rendimentos mais baixos.

Nos últimos dias, o país tem assistido a manifestações e ações de protesto que reclamam medidas concretas para enfrentar a crise habitacional, revelando o crescente descontentamento social perante a ausência de respostas consideradas suficientes.

Justiça surge como terceira prioridade

Um dos resultados mais interessantes da sondagem da Intercampus é a posição atribuída à melhoria da justiça, que surge em terceiro lugar entre as prioridades dos portugueses, à frente de questões como a redução do preço dos combustíveis.

A morosidade dos processos judiciais e a necessidade de reforçar o combate à corrupção continuam a ser apontadas como fragilidades do sistema.

São preocupações para as quais o Presidente da República, António José Seguro, também tem chamado a atenção.

"O combate à corrupção e à criminalidade organizada transfronteiriça, o aperfeiçoamento do sistema penal e a promoção da celeridade na administração da justiça devem ser uma prioridade", escreveu o chefe de Estado, em julho, no sítio oficial da Presidência da República.

Educação fora das principais prioridades

Por último, merece atenção a posição atribuída à educação.

Apesar dos problemas que continuam a afetar o setor e da contestação em torno dos procedimentos de correção dos exames nacionais, o ensino não figura entre as principais prioridades identificadas pelos portugueses na sondagem.

Um resultado que merece reflexão, tendo em conta a importância da educação para a qualificação da população, a igualdade de oportunidades e o desenvolvimento económico e social do país.