A visita acontece num momento de dupla significância. Cabo Verde assinala os 50 anos da sua independência e reafirma, em simultâneo, a sua visão política: a diáspora não é apenas extensão cultural — é agente ativo de transformação económica, social e científica. Esta Presidência na Diáspora materializa essa convicção.
Ao longo de sete dias, José Maria Neves percorre Porto, Braga, Guimarães, Barcelos, Tondela e Lisboa, com uma agenda que combina encontros institucionais de alto nível, visitas a infraestruturas estratégicas e momentos de diálogo direto com cidadãos cabo-verdianos residentes em Portugal.
O encontro com o Presidente da República Portuguesa, António José Seguro, no Palácio de Belém, constitui um dos pontos altos da visita — sinal claro do reforço das relações bilaterais entre dois países cujos destinos históricos permanecem profundamente entrelaçados.
A dimensão da saúde assume particular relevo nesta deslocação. No Porto, o Presidente visita o Hospital de São João e a Unidade Local de Saúde de Santo António — duas instituições centrais num marco histórico para Cabo Verde: o primeiro transplante renal realizado no arquipélago, em março de 2026, foi possível graças à colaboração estreita entre especialistas portugueses e cabo-verdianos. Esta visita não é protocolo — é reconhecimento do impacto concreto da cooperação internacional quando colocada ao serviço das pessoas.
A agenda académica e científica inclui passagens pela Universidade do Minho e pela Universidade do Porto, com encontros com estudantes cabo-verdianos. Estes momentos traduzem uma aposta clara: o conhecimento e a formação são pilares insubstituíveis do desenvolvimento sustentável. As novas gerações — formadas fora, mas profundamente ligadas à sua origem — são pontes vivas entre nações.
A dimensão económica e empresarial está igualmente presente. No Palácio da Bolsa, no Porto, a reunião entre empresários cabo-verdianos e portugueses aponta para o reforço de redes de investimento e parcerias estratégicas. Em Tondela, a visita aos Laboratórios BASI sublinha o interesse crescente nas áreas da indústria farmacêutica e da inovação tecnológica como vetores de cooperação bilateral.
Um dos eixos mais estruturantes desta Presidência na Diáspora é a cooperação descentralizada. O encontro com autarcas portugueses de municípios geminados com Cabo Verde — com a participação de Fábio Vieira — reforça a importância das relações locais como instrumentos genuínos de desenvolvimento territorial e intercâmbio institucional. A transformação também se constrói a partir da proximidade.
A dimensão simbólica da visita não é decorativa — é constitutiva. Em Barcelos, o atleta olímpico António Zeferino será condecorado; em Lisboa, a distinção caberá à ativista social Rosa Moniz. Dois gestos que reconhecem o contributo da diáspora em áreas distintas e celebram a diversidade do talento cabo-verdiano espalhado pelo mundo.
Mais do que uma agenda institucional, esta V Presidência na Diáspora representa um exercício de liderança política consciente: aproximar o Estado dos seus cidadãos, independentemente da geografia, e transformar essa proximidade numa alavanca real de desenvolvimento.
Num mundo marcado pela mobilidade e pela interdependência, Cabo Verde afirma-se como uma nação global — onde a diáspora não é periferia, mas centro. Não é nostalgia, mas força produtiva. Não é distância, mas ponte.
No plano internacional, esta iniciativa insere-se numa tendência crescente: países com fortes diásporas reconhecem cada vez mais o seu potencial na captação de investimento, na transferência de conhecimento e na projeção cultural. Cabo Verde não segue esta tendência — lidera-a com um modelo que poderá inspirar outras nações com realidades semelhantes.
"Não há desenvolvimento sustentável sem a participação ativa das pessoas, onde quer que estejam." — Kofi Annan
Fontes Presidência da República de Cabo Verde — Nota de Imprensa oficial (18 de abril de 2026) · Governo de Cabo Verde — Informações institucionais sobre a diáspora · Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal — Relações bilaterais Portugal–Cabo Verde · Organização Internacional para as Migrações (OIM) — Relatórios sobre diásporas e desenvolvimento · Banco Mundial — Migration and Development Brief
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