O presidente Lula da Silva (PT) declarou hoje segunda-feira, Oi9.03, que a escalada de conflitos no Oriente Médio, iniciados pelos Estados Unidos e Israel com bombardeamentos ao Irão, representam um risco significativo para a estabilidade global.
A declaração foi feita durante declaraçao à imprensa depois da reunião com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, em Brasília, no contexto da visita de Estado do líder sul-africano ao Brasil.
ALula manifestou significativa preocupação com os impactos políticos, humanitários e economicos das tensões na região.
Segundo o presidente, o agravamento do cenário no Oriente Médio pode afetar cadeias globais de energia, alimentos e bens, com reflexos diretos sobre a economia mundial.
“Expus ao presidente Ramaphosa minha profunda preocupação com a escalada de conflitos no Oriente Médio, que representam uma grave ameaça à paz e à segurança internacional, com impactos humanitários e econômicos”, afirmou Lula.
O presidente destacou ainda que os efeitos dessas crises atingem de forma mais intensa as populações vulneráveis.
“São os mais vulneráveis, sobretudo mulheres e crianças, que sofrem o impacto mais severo dessas crises".
O presidente também alertou para as consequências economicas do conflito, especialmente no setor energético.
Segundo Lula, o aumento das tensões já tem repercussões nos preços internacionais dos combustíveis.
“É importante lembrar que por conta da guerra do Irão, o preço do combustível já está subindo em quase todo o mundo. O preço do petróleo está subindo muito e deve subir em todos os países do mundo”, declarou.
Na avaliação do presidente, o caminho para reduzir a instabilidade internacional passa pela negociação diplomática. “O diálogo e a diplomacia constituem o único caminho viável para a construção de uma solução duradoura”, afirmou.
A declaração ocorreu durante a visita de Estado de Cyril Ramaphosa ao Brasil, a quarta do líder sul-africano.
Lula destacou que Brasil e África do Sul compartilham a defesa de uma ordem internacional mais equilibrada, baseada no multilateralismo e no respeito ao direito internacional.
Segundo o presidente brasileiro, os dois países atuam para fortalecer a cooperação entre América do Sul e África. “África do Sul e Brasil atuam para aproximar nossos continentes”, afirmou.
Em Brasília, os dois governos anunciaram a assinatura de instrumentos destinados a ampliar a cooperação econômica, comercial e política como a renovação por quatro anos do plano de ação no setor de turismo, com o objetivo de ampliar viagens de lazer e negócios entre os dois países.
Também foi firmado um acordo entre a ApexBrasil e o Departamento de Comércio da África do Sul para incentivar o comércio e os investimentos bilaterais.
Lula destacou que o atual volume de trocas comerciais ainda não reflete o potencial das duas economias.
“A relação comercial não está à altura do potencial de nossas economias. O intercâmbio anual está estagnado há quase 20 anos. Não existe nenhuma explicação política para que a gente não tenha um comércio acima de US$ 10 biliões”, afirmou.
O Brasil e a África do Sul mantêm uma parceria estratégica desde 2010, considerada o nível mais elevado nas relações bilaterais.
A cooperação envolve temas como defesa e segurança, energia nuclear, investimentos, comércio e coordenação em fóruns multilaterais.
O fluxo comercial entre os dois países alcançou US$ 2,3 biliões em 2025.
Entre os principais produtos exportados pelo Brasil estão carnes de aves e miudezas, açúcares e melaços e veículos rodoviários.
As importações brasileiras concentram-se principalmente em prata, platina e outros minerais do grupo da platina.
Ramaphosa foi recebido no Palácio do Planalto pouco depois das 10h para uma reunião restrita entre os dois presidentes, depois ampliada com equipes de governo, assinatura de atos e declaração conjunta à imprensa.
Após os compromissos no Planalto, as delegações seguiram para o Palácio Itamaraty, onde participam de um almoço oficial e da abertura do Fórum Empresarial Brasil–África do Sul. Como parte do protocolo de visitas de Estado, o presidente sul-africano também deve visitar o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.
No atual mandato, Lula esteve na África do Sul em 2023 para a Cimeira do Brics e voltou ao país em 2025 para a reunião de líderes do G20.