“Foi uma obra muito acarinhada por nós, até porque o Mosteiro de Santo Estêvão de Vilela é talvez dos edifícios mais bonitos do concelho, mas estava decrépito. [...]

No fundo, vai apresentar a história do mobiliário desde que chegou a Paredes, vindo de Itália, até aos dias de hoje, e será o ponto de partida para o que já temos vindo a fazer, mas agora com outra ênfase, que é o turismo industrial", conta à Lusa o presidente da câmara, Alexandre Almeida (PS).

O primeiro museu do concelho custou três milhões de euros, dos quais cerca de 2,4 milhões foram comparticipados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), estimou o autarca, ficando instalado num mosteiro cujas origens remetem ao século X.

O museu abre as portas terça-feira, pelas 18h00, em visita experimental, no âmbito da III Bienal Internacional das Artes em Madeira no concelho, tendo inauguração prevista para outubro.

"Será inaugurado oficialmente pelo Presidente da República [António José Seguro, que concedeu alto patrocínio ao projeto], numa visita que fará também à bienal. Achámos por bem utilizar já aquele espaço para ser o centro nevrálgico da bienal, apesar de haver outras manifestações noutros espaços", notou Alexandre Almeida.

Naquele local estará montada uma visão histórica do processo de produção e fabrico de mobiliário ao longo dos tempos, dos primórdios até à atualidade.

Estao expostas peças finais, mas também máquinas, ferramentas e ainda cadeiras de autor na exposição permanente.

Testemunhos de empresas, exposições temporárias de arte, atividades para famílias e crianças estão também contempladas para o projeto arquitetónico instalado no mosteiro, que foi assinado pelos arquitetos Rui Dinis e Henrique Marques.

O museu inclui um auditório, um espaço para oficinas e demonstrações ao vivo da arte de trabalhar a madeira, incluindo "a arte da talha", uma área para servir de "incubadora de design" e um bar.

No que toca à bienal, que decorre pela terceira vez, de terça-feira a 30 de novembro, um dos destaques será a peça de teatro "Mulheres Móveis", da companhia Astro Fingido, apresentada quarta-feira pelas 21h30 precisamente no novo museu.

A exposição "Filhos da Terra, Filhos da Floresta", com curadoria de Helena Mendes Pereira, estará patente neste espaço, como mostra central, surgindo outras apresentações em várias empresas de mobiliário da cidade, com artistas como Luís Canário Rocha e Xosé Luis Otero.

Na música, há concertos das bandas de Baltar, Vilela e Cête na Câmara de Paredes, enquanto a pianista Joana Gama apresenta, a 26 de novembro, "A Mind in the Heart", na Farimóvel.