Mas mesmo no silêncio, a terra falava. Falava em minerais, em rochas, em diamantes e em terras raras. Falava através das mãos calejadas de homens e mulheres que não têm nome em manchetes, mas que sustentam a economia de um país inteiro. E foi para honrar essas mãos que, durante duas semanas de abril, Angola parou para escutar com atenção.
As Jornadas do Mineiro de 2025 realizadas em abril foram tudo menos um evento.
Foram um reencontro.
Um reencontro com a identidade de um povo que extrai do subsolo muito mais do que riqueza. Extrai propósito.
Revisitar a história do setor mineiro foi mais do que evocar o passado. Foi devolver nome, voz e valor a quem, durante décadas, permaneceu invisível.
Trouxe-se à tona o orgulho de um ofício.Raúl Fernandes, antigo Secretário-Geral do Ministério de Geologia e Minas, lembrou os tempos de escassez e a necessidade de racionalizar. Djanira Santos, da Agência Nacional dos Recursos Minerais, partilhou a sua própria jornada de superação e persistência.
E naquele momento, a sala tornou-se espelho — onde veteranos e jovens se reconheceram como parte de uma mesma missão: cuidar da terra, com inteligência, ética e coragem.
Se há algo que distingue os projetos com alma é a forma como ligam conhecimento à prática.Na Feira Educativa, a presença do Ministro Diamantino Azevedo a dar uma aula magna a jovens estudantes foi mais do que simbólica. Foi pedagógica. Foi inspiradora. Disse-lhes: “Estudem, porque o futuro de Angola passa por vocês” — e assim o conhecimento ganhou corpo, direção e destino.
As palavras assumiram o papel de uma bússola: aprender para transformar. Geociência como alicerce. Educação como ferramenta. Juventude como motor.
A mineração responsável não se mede apenas em toneladas.
Mede-se em confiança.
Nas comunidades que são respeitadas.Na cultura que é promovida.
Na comunicação que é clara.
No investimento que permanece.
Ao integrar cultura, desporto, teatro e jornalismo numa celebração que seria, à partida, técnica, o MIREMPET mostrou que o setor mineiro pode e deve ser humano. E ao terminar as Jornadas falando de ambiente, descentralização, juventude e inovação, provou que os recursos extraídos do subsolo podem e devem deixar raízes de futuro à superfície.
O que ficou não foram apenas imagens e prémios.
Ficaram sinais. Ficaram vozes. Ficaram convicções.
Ficou a certeza de que o Estado também pode emocionar. Que o setor público também pode contar histórias que tocam. Que o discurso técnico pode ser também simbólico, pedagógico e transformador. Ficou uma Angola que começa a reconhecer que extrair é apenas o começo. Transformar é o que faz toda a diferença.
Uma história que não se escreve com pedras, mas com pessoas.E que não se mede em quilates, mas em consciência, ação e transformação.
Nos bastidores desta história, entre os dias 15 e 27 de abril de 2025, aconteceram gestos concretos que deram corpo à visão.
📍 No Huambo, realizou-se o Fórum de Promoção de Investimentos no Setor Mineiro, onde o Ministro Diamantino Azevedo apelou à transformação local dos recursos e ao protagonismo das províncias. “Angola já não pode ser apenas potencialmente rica”, afirmou. “Tem de criar riqueza para o seu povo”.
📍 Em Luanda, mais de 200 estudantes participaram na Feira Educativa do Mineiro. Receberam uma aula magna sobre geologia e energia, e foram desafiados a estudar com compromisso e visão.
📍 No Centro Cultural Paz Flor, decorreu a cerimónia de encerramento das jornadas, com uma reflexão pública sobre a importância da mineração sustentável, o respeito pelas comunidades e a urgência da diversificação económica.
📍 Foram promovidas atividades culturais e desportivas — torneios de futsal, xadrez e ciclismo — integrando trabalhadores, jovens e parceiros institucionais. O Secretário de Estado Jânio Corrêa Víctor destacou que o desporto é também parte do ADN do Ministério.
📍 Na vertente cultural, houve o lançamento de livros e a exibição de uma peça de teatro encenada por Maria João Ganga, mostrando que a mineração também se faz de símbolos e histórias.
📍 No jornalismo, o Prémio Catoca distinguiu os profissionais que informam com rigor e ética, como o jornalista Hermenegildo Olga, que emocionou ao afirmar que o seu trabalho é “um encontro entre a palavra e o silêncio”.Foi assim que o MIREMPET, em abril de 2025, provou que é possível construir um setor mais humano, mais presente, mais íntegro.
Um setor onde a mineração não se limita a extrair. Mas também a inspirar.
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Foto de destaque: Criada por IA