"Não sei o que a ministra fez de concreto, mas ir para o terreno não é muitas vezes a melhor solução. A ministra da Administração Interna não é compatível com o que é hoje o panorama mediático. Tudo é espetáculo e, quando tudo é espetáculo, temos bons atores ou temos maus atores. Não sei o que é que a ministra fez ou não fez, mas claramente era má atriz para este tipo de mecanismos", afirma.
Comecemos pelo principio.
Dezasete pessoas já morreram em Portugal por causa da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e milhares desalojado, cidades parcialmente isoladas e críticas crescentes à atuação do governo diante da crise.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
Teatro?
Nao!
Foi tudo vivido na vida concreta de milhares de familias e não numa qualquer telenovela de uma qualquer estaçao televisiva.
Tanto é assim que Portugal soma mais de 100 mil sinistros após as depressões recentes sendo que so 75% já têm resposta das seguradoras.
É neste contexto que a gestão do Governo aos impactos provocados pelo sequencia de tempestades que afetou o país divide opiniões: com os mecia a calar a voz dos ecologistas que avisaram n vezes o país para esta crise
A socialista Alexandra Leitão considera que a gestão das tempestades que afetou o país provou que o Governo tem ainda "dificuldades em lidar com situações de pressão extrema e críticas, que implicam respostas imediatas".
Tal já tinha sido observada com o apagão e também com os incêndios florestais do verão.
"E isso tem que ver com alguma dificuldade de reagir sob pressão e também algum desconhecimento - lamento dizer assim - da própria máquina da administração pública", atira, destacando desde logo os entraves em colocar "rapidamente" em ação a Proteção Civil, forças de segurança, bombeiros e Forças Armadas.
Alexandra Leitão defendeu que tal não advém de um "problema de comunicação", mas antes de uma "comunicação que se tentou mais propagandística e menos pedagógica".
Já o autarca social-democrata do Porto recorre a uma metáfora futebolística para defender o Executivo: "O totobola à segunda-feira é fácil de ser feito", responde.
Já o historiador Pacheco Pereira confessa ser incapaz de fazer um julgamento sobre o impacto das intempéries, mas ressalva que tem capacidade crítica para criticar a atitude de Nuno Melo. "Aquela coisa do ministro da Defesa com os militares é uma coisa que, essa sim, eu sei criticar. Eu sei reconhecer que é o pior que se pode fazer: juntou meia dúzia de militares, meia dúzia de máquinas, meia dúzia de escavadoras e fez uma sessão de propaganda e depois foi-se tudo embora", atira.
O autarca do Porto, Pedro Duarte, afirma que a escolha de Maria Lucia Amaral para o cargo de ministra da Administração Interna "foi erro de casting". A socialista Alexandra Leitão partilha desta visão, mas ressalva que esta "não pode ser o bode expiatório" de tudo o que correu mal na resposta às tempestades que afetaram o país.
Em declarações no programa O Princípio da Incerteza, da TSF e CNN Portugal, Alexandra Leitão considera que houve momentos em que as pessoas se sentiram "muito sozinhas".
"Houve [entre] dez dias a duas semanas em que as pessoas se sentiram muito sozinhas. Naturalmente, melhorou nesta fase de cheias, da última semana, com toda a gente a ir para Coimbra. A autarca de Coimbra também fez o seu bom papel. Mas, como disse uma vez um ex-primeiro-ministro e atual secretário-geral das Nações Unidas, não há uma segunda oportunidade de causar uma primeira boa impressão", atenta.
O atual presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, reitera as palavras da socialista e avalia que a regionalização deve saltar para o debate público, já que o comboio de tempestades colocou em causa a gestão e coesão territorial.
"Foi manifestamente um erro de casting por uma pessoa que tem imensas qualidades: além das académicas, das qualidades profissionais e técnicas, eu acho que tem qualidades humanas excecionais. Contudo, hoje em dia, um ministro tem de ter algumas características, designadamente do ponto de vista da comunicação pública, que são inevitáveis", afirma.
Tao inevitaveis que ainda hoje os municipios contestem a atividade governativa
"Para Montemor, ainda continua a haver uma situação complicada", sublinha, em declarações à TSF, o presidente da câmara, que expressa "preocupação" perante as águas que continuam a "chegar" ao concelho, depois do rebentamento do dique na margem direita do Mondego
À TSF, o autarca de Marinha Grande, Paulo Vicente, que sublinha que existem ainda infraestruturas danificadas por contabilizar, avança que neste momento estão já apurados 106 milhões de euros de prejuízos a nível municipal. Já no que diz respeito às associações e coletividades, os incidentes reportados até domingo atingem já os sete milhões e 900 mil euros
Depois de semanas de cheias, a semana começa em Alcácer do Sal com "tudo seco", mas o cenário não alivia as preocupações da presidente da câmara.
Em declarações à TSF, enquanto percorre a cidade a pé, Clarisse Campos admite que está preocupada com o alojamento das cerca de duzentas pessoas que foram retiradas, como medida de precaução, durante as inundações das últimas semanas.