O líder do PCP destacou que os aumentos contínuos nos combustíveis estão a asfixiar quem trabalha. Paulo Raimundo criticou o facto de o Estado não utilizar a sua participação de 8% na Galp para intervir no mercado, fixar os preços dos combustíveis e colocar o gás de botija a 20 euros, tal como era prática até 2003.
Segundo Raimundo, o atual executivo opta por penalizar as populações, os trabalhadores, os pequenos empresários, os agricultores e os pescadores. Em contrapartida, recusa-se a beliscar os enormes ganhos das empresas de energia. "São os lucros da Galp e das Galps deste país" que não há coragem de penalizar, afirmou de forma perentória. Para agravar o cenário, denunciou aquilo que classifica como um "crime em curso": a entrega da única refinaria do país, localizada em Sines, a uma multinacional.
Além do Governo, o PCP dirigiu fortes críticas ao partido Chega (apelidando a sua atuação de "cheganice"). Paulo Raimundo sublinhou que, com a ajuda desta força política, está a ser aberto o caminho para uma maior concentração da riqueza, dando como exemplo o "entusiasmo" com que o Chega apoiou a descida do IRC (Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas).
A esta complacência fiscal com os grandes grupos junta-se uma profunda crise social. O líder comunista alertou que as casas estão cada vez mais caras, as rendas cada vez mais altas e os despejos mais fáceis. Ao mesmo tempo, contrastou, a banca paga "cada vez menos impostos" e continua a "encher os cofres como nunca".
Outro dos pontos nevrálgicos da intervenção de Raimundo foi o estado da Saúde em Portugal. O secretário-geral comunista elencou a falta crónica de profissionais no setor público: "Faltam médicos, faltam enfermeiros, faltam técnicos". Para o PCP, este percurso traduz-se num claro "caminho de destruição do Serviço Nacional de Saúde" que, por si só, já "merece censura".
Fazendo a ponte para o atual contexto político e orçamental (com o foco apontado ao OE27), a mensagem política culminou num ultimato. De acordo com a visão do PCP partilhada na denúncia pública, um executivo com estas práticas merece "ser despedido" na votação do orçamento e o país deve avançar para eleições antecipadas. Rematando o aviso, lamentou-se ainda que haja atores políticos que teimem em fugir às urnas, adiando a resolução urgente de uma política que não responde aos problemas do país.
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