O Grande Oriente Lusitano (GOL) emitiu recentemente uma proclamação ao Povo Português, apelando a todas as cidadãs e cidadãos que se reveem nos valores da democracia, do Estado de direito, do humanismo e da laicidade do Estado, e que partilham o desejo de construir um país e um mundo mais livres, mais justos e iguais para todos os seres humanos, onde reinem a fraternidade, a concórdia e a paz.

Nesse apelo, o GOL convoca-os a unirem-se e a participarem ativamente na defesa destes valores fundamentais, em todos os atos políticos e cívicos, presentes e futuros, que sejam relevantes para a democracia e para a República Portuguesa.

Trata-se de uma importante, arrojada e inesperada proclamação em defesa da Liberdade num momento em que proliferam “movimentos que disseminam a dissensão, o ódio e o obscurantismo” em que Portugal e outras partes do Mundo se veem “diretamente acossados, internamente e a partir do exterior, por estas mesmas forças que inesperadamente se agigantam”.

A importância desta proclamação ganha maior relevância por vir de uma organização discreta, que não tem por hábito intervir diretamente no espaço público, e que agora encontra razões sérias e ponderosas para afirmar a sua preocupação com a situação e o seu empenhamento na defesa da Liberdade e da Democracia.

Este apelo à unidade em defesa da Liberdade deve ecoar nas mentes e corações daqueles que lutaram contra a ditadura e de todos os que têm participado na construção, com todos os muitos defeitos que tenham as obras humanas, da sociedade portuguesa no pós 25 de Abril. Nessa data já longínqua e de que só as gerações mais velhas têm memória direta, rejeitámos enquanto Povo a Ditadura, agora, cinquenta anos depois vemo-nos confrontados com a possibilidade de regresso ao passado.

Não deixo de me sentir irmanado com a coragem desta proclamação e de apoiar este apelo à união e à mobilização para enfrentar a barbárie. Todos somos necessários para esta batalha.

Recorde-se que o GOL foi proibido e perseguido durante o regime fascista e que só depois do 25 de Abril pôde sair da clandestinidade e voltar ao seu labor em Liberdade.