Antes de tudo, aproveito a oportunidade para reproduzir a capa do livro que citei no artigo Vive la France, que recomendo aos leitores interessados em compreender os antecedentes dos passos do velho país europeu.

A França não apenas se recusou a entrar na guerra contra o Irã como se contrapôs ao uso da violência para reabrir o Estreito de Ormuz. Por que isto aconteceu? Simplesmente porque o país deixou de confiar nos Estados Unidos.

Trump tem transgredido diariamente as leis internacionais e o respeito à soberania de nações independentes, com ameaças constantes à paz mundial. A França não pode apoiar medidas ilegais, irresponsáveis e arbitrárias. Além disso, a Europa está descobrindo que não possui mais um aliado. A própria OTAN está à beira d dissolução.

O novo imperador dos EUA vem insultando a França com uma frequência inusitada; também insultou o seu presidente, chegando ao ponto de dizer que Macron é espancado pela mulher por não ter apoiado a guerra contra o Irã. Isto é intolerável. A França precisava dizer não. O pedófilo e belicista americano está sendo diariamente desmascarado por governantes e políticos do mundo inteiro. A França não podia ficar ao largo.

A posição política da França está sendo acompanhada de uma série de medidas na área econômica. Uma delas, como amplamente divulgado no último fim de semana, foi que o Banco da França (Banque de France) retirou as últimas 129 toneladas de ouro que ainda estavam guardadas no Federal Reserve Bank de Nova York, o que corresponde a cerca de 5% das reservas totais do país. Segundo a jornalista Palas Atenas, o BC francês “vendeu esse ouro aos EUA (aproveitando o preço recorde do ouro) e comprou uma quantidade equivalente na Europa, com padrões internacionais melhores (lingotes de melhor qualidade). Agora, não tem nenhum ouro francês de posse dos EUA.”

Assim, a posição política e econômica do governo francês se transformou em um recado histórico para o mundo: quem não perceber o que está se passando no cenário europeu será colhido por surpresas desagradáveis no quadro da geopolítica moderna. Suas consequências profundas não demorarão a aparecer.

Torcemos para que o Brasil acompanhe a França e retire todas as suas riquezas do alcance do chefe de quadrilha internacional Donald Trump, ladrão convicto e explícito das nações vulneráveis, livrando-se dos enormes riscos que isto acarreta. Além de suas reservas cambiais, o Brasil deveria retirar também a pequena parte das 172 toneladas de ouro que possui ainda guardadas no FED (a maior parte já está sob custódia do Banco de Londres). Se não fizer isso, corre o risco de ser vitimado pelo facínora. Com a palavra o Sr. Galípolo.

O império está ruindo. Temos a obrigação de dar mais um empurrão.