O governo iraquiano divulgou a necessidade de um orçamento de cerca de 500 milhões de dinares iraquianos, aproximadamente 325 mil euros, para a primeira fase da campanha de restauro.
Segundo Kadhim Hassoun Honeihin, membro do comité de restauro e especialista em arqueologia, as obras deverão ficar concluídas em julho deste ano.
Estão a ser utilizados métodos tradicionais e materiais produzidos localmente para reconstruir as zonas mais degradadas da estrutura.
"Estamos a restaurar a fachada do Zigurate e as três escadarias do primeiro piso, além da recuperação integral do segundo piso", explicou Honeihin, acrescentando que parte da zona sudoeste já foi intervencionada.
Foram reproduzidos tijolos com propriedades químicas e físicas semelhantes às originais, a partir de amostras retiradas do monumento e o barro utilizado no restauro é produzido manualmente no local, recorrendo a materiais recolhidos num ambiente semelhante ao da antiga cidade de Ur.
Honeihin alertou que a ausência de barreiras naturais e artificiais deixou o sítio arqueológico mais vulnerável às tempestades e à erosão.
"Sem estas barreiras, o Zigurate continuará a precisar de manutenção periódica no futuro", afirmou.
O Iraque enfrenta há décadas ameaças ao seu património histórico.
Além dos danos provocados por guerras sucessivas, desde o conflito com o Irão nos anos 1980 até à invasão liderada pelos Estados Unidos em 2003 e à violência da seita terrorista Estado Islâmico, o país enfrenta agora os efeitos das alterações climáticas.
O aumento das tempestades de areia, da desertificação e dos fenómenos meteorológicos extremos ameaça não apenas a agricultura iraquiana, mas também alguns dos mais importantes vestígios históricos da Mesopotâmia.
Zigurates são estruturas antigas da Mesopotâmia, com plataformas escalonadas e torres, usadas para culto religioso e administração política.
Os zigurates tinham múltiplas funções, incluindo adoração aos deuses, administração política e observação astronômica.
As características distintivas de um zigurate incluem uma base retangular ampla, plataformas elevadas em camadas e torres no topo.
Zigurates e pirâmides diferem em forma, função e contexto cultural, com as pirâmides egípcias a servirem como túmulos para faraós, enquanto os zigurates eram locais de culto religioso e administração política.
Os zigurates têm uma história antiga na Mesopotâmia, com exemplos notáveis como o Zigurate de Ur, construído por volta de 2100 a.C. e dedicado ao deus da lua.
Os zigurates eram vistos como pontos de contato entre os reinos celestial e terreno, e muitas vezes eram consideradosresidência dos deuses ou locais onde a divindade poderia descer à Terra. Como resultado, eram frequentemente dedicados a uma divindade específica, sendo locais de adoração e rituais religiosos.
Além disso, os zigurates também tinham funções práticas. Eles serviam como centros administrativos e políticos, onde as atividades relacionadas ao governo e à burocracia eram conduzidas.
Sua localização elevada fornecia uma vantagem estratégica, permitindo observar os arredores e monitorar possíveis ameaças. Também se acredita que tenham sido usados para observações astronomicas, com as torres superiores a serem utilizadas como observatórios para estudar o movimento dos corpos celestes.
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