"O Governo trata este Orçamento de Estado como mais um instrumento de expediente, continuando aquilo que tem sido a sua política e não percebendo que o ano de 2027 é um ano particularmente difícil para as famílias e para as pequenas e médias empresas em Portugal", assumiu  a porta-voz e líder parlamentar do Livre, Isabel Mendes Lopes, aos jornalistas na Assembleia da República.

Para esta lider  o executivo escolhe "dar baixas de impostos e borlas fiscais, a quem, na verdade, menos precisa", apontando para a descida do IRC e lembrou que "há quase 2.000 milhões de euros que deveriam ser aplicados de outra forma".

Por isso insiste em propostas que  o Livre tenciona avançar na especialidade como o aumento do abono de família ou a criação de um passe de mobilidade nacional.

Tambem  a líder parlamentar do PCP, Paula Santos, considerou que este orçamento "é um frete ao capital e um desastre para o país".

"Quando o país, os trabalhadores, os reformados, a população se confrontam com este aumento do custo de vida, o que se exigiria eram medidas para combater o custo de vida, para valorizar efetivamente salários, pensões, serviços públicos, saúde, educação, garantir direito à habitação. Mas o que vemos neste orçamento é a continuada opção deste Governo de favorecimento dos interesses dos grupos económicos", acusou.

Paula Santos considerou ainda que esta proposta "passa ao lado da vida e da realidade concreta" dos portugueses.

A líder parlamentar do PCP criticou o PS, que já anunciou que pretende abster-se na votação na generalidade do documento, permitindo a sua viabilização.

"Perante tudo isto, um Orçamento que não dá resposta, que acentua desigualdades e injustiças, quem viabilizar este Orçamento e quem o apoiar é também responsável pela degradação das condições de vida", realçou.

A porta-voz do PAN acusou o Governo de desinvestir no combate às alterações climáticas, com "um corte de 10% no ambiente" depois das tempestades do último inverno, e contestou também o "descongelamento das propinas das universidades", que disse esperar que a oposição volte a rejeitar na especialidade.

"Há um caminho a fazer no âmbito deste Orçamento do Estado. Esperamos que o Governo não continue de costas voltadas para as propostas da oposição", acrescentou a deputada única e porta-voz do PAN.

Entretanto o  Bloco de Esquerda criticou o Orçamento de 2027, acusando o Governo de beneficiar os mais ricos e ignorar os trabalhadores, que, segundo o coordenador José Manuel Pureza, recebem apenas migalhas.

O coordenador do Bloco de Esquerda (BE), José Manuel Pureza, considerou hoje que a proposta de Orçamento para 2027 "dá migalhas" a quem trabalha e beneficia os mais ricos, defendendo que faltam medidas que resolvam problemas estruturais.

"É um Orçamento que dá migalhas a quem trabalha, enquanto beneficia quem é mais rico e nisso, justiça seja feita ao Governo, o Governo traduz no Orçamento aquilo que é a sua orientação de sempre", afirmou.

Aos jornalistas em Coimbra, José Manuel Pureza contestou aquela que disse ser "a desculpa" do ministro das Finanças, Miranda Sarmento, de que o rendimento das famílias "tem subido sem paralelo", numa expressão usada pelo governante.

"Isso é uma ficção e até uma ofensa para a grande maioria das pessoas que trabalham e que vivem em Portugal", referiu, sustentando que os rendimentos não têm subido tanto como o preço dos combustíveis, das rendas de casa e os juros dos empréstimos para habitação, e as contas do supermercado.

Outro ponto referido por José Manuel Pureza é que o Orçamento "aumenta da despesa com parcerias público-privado, salientando ser "muito importante" o documento "prever a privatização de empresas do Estado".

"Vem aí uma onda de privatizações para suportar essa despesa adicional com as parcerias público-privado", alertou.

O dirigente criticou também a justificação do ministro das Finanças de que o país faz "boa figura em Bruxelas", considerando que isso revela que "este Governo se esqueceu das pessoas" que trabalham e vivem em Portugal e que "não conseguem chegar ao fim do mês com as dívidas e despesas".

"Por mais que o Governo se vanglorie dos números do crescimento, a verdade é que o crescimento em abstrato não beneficia as pessoas", notou, defendendo que se o poder de compra continuar a diminuir as "pessoas vão continuar a sofrer" e a garantia pública na habitação "serve a muito poucos".

O coordenador do BE argumentou também que, no Orçamento, "faltam medidas que resolvam os problemas estruturais" da economia e do país.

O líder do BE criticou também o descongelamento das propinas que está previsto na proposta de Orçamento para 2027.

"Entendemos que isso é um retrocesso absolutamente inaceitável, porque o Governo está a dizer a quem se mata a trabalhar para por os filhos na universidade que vão ter de trabalhar ainda mais e poupar ainda mais para o conseguir fazer e, muito provavelmente, não conseguirão manter os seus filhos na universidade", justificou.

José Manuel Pureza reiterou que o BE "votará contra este orçamento, na exata medida em que ele reflete as escolhas políticas principais de um Governo" com o qual está em desacordo.

O Governo entregou hoje na Assembleia da República a proposta de Orçamento do Estado para 2027, antes do prazo previsto por lei.

A proposta de Orçamento prevê um crescimento da economia de 2,3% este ano e de 2,1% em 2027 e contas equilibradas este ano e um excedente de 0,1% em 2027.

A proposta vai ser discutida e votada na generalidade entre 27 e 28 de outubro. A votação final global está marcada para 24 de novembro, após o processo de debate na especialidade.