Paula Santos falava após visitar, nas jornadas parlamentares do PCP, o Pinhal de Leiria, na Marinha Grande muito  afetado  pelas tempestades do início do ano e onde constatou que se mantêm grandes quantidades de árvores caídas no chão cuja lenha continua por recolher.

Aos jornalistas, a lider parlamentar do PCP afirmou a sua  preocupaçao com a chegada do período de risco elevado de incêndio em Portugal, ao mesmo tempo que "toda aquela matéria continua no terreno".

O Pinhal de Leiria (Mata Nacional de Leiria) é um património histórico, cultural e natural de relevo nacional que não está formalmente inscrito na UNESCO como Património da Humanidade, mas é um monumento vivo da história de Portugal, classificado como Património do Estado.

O seu valor destaca-se pela vertentes da Importância Histórica

Mandado plantar no século XIII (por D. Afonso III e D. Dinis), a sua madeira foi essencial para a construção das caravelas durante a Época da Expansão para os Encontros da I Globalizaçao . Mas tambem por ser um Ecossistema Único que desempenha um papel vital no combate ao avanço das areias costeiras e na proteção das terras agrícolas.

Devido à sua relevância épica e singularidade, têm existido movimentos de historiadores e comissões para o elevar a Património da Humanidade.

Devido aos severos incêndios de 2017, a área tem passado por um longo e cuidadoso processo de reflorestação.

Paula Santos por tal declarou,

"Constitui de facto uma preocupação grande. Aquilo que nós vimos, mais uma vez se constata, é uma insuficiência da falta de resposta por parte do Governo, porque se deveria ter mobilizado meios e recursos para que efetivamente acorrer a estas áreas para procurar retirar o máximo de biomassa", dizendo estar em causa até uma "certa desvalorização" em relação a esta situação, que "não é de agora".

Para a lider parlamentar do PCP a gestão dos últimos anos da Mata Nacional de Leiria revela opções erradas que resultam num aumento do impacto de fenómenos naturais extremos e é necessária uma maior aposta na prevenção.

"Tomar medidas para tornar os territórios também mais resistentes a estes eventos e não é isso que tem sido feito", criticou, apontando para a insuficiência de meios humanos.

A líder da bancada do PCP recordou ainda que o partido já apresentou propostas no Parlamento para uma melhor gestão das áreas florestais e uma intervenção que "vá ao encontro do interesse público e não de outros interesses" e insistiu na necessidade de reforçar os meios do Estado, do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

"É preciso que os seus trabalhadores sejam valorizados nas suas carreiras, nos seus salários, e é preciso de facto ter serviços que hoje infelizmente não temos porque eles foram progressivamente sendo depauperados", lamentou.

A  líder da bancada comunista, acompanhada do deputado Alfredo Maia e do ex-parlamentar António Filipe, conversou com Mário Oliveira e Sérgio Duarte, da Oikos - Associação de Defesa do Ambiente e do Património da Região de Leiria.

Os membros da Oikos  alertaram a delegação do PCP para a importância de integrar a população local no planeamento do pinhal, bem como a urgência de valorizar salários e carreiras dos operacionais, e defenderam a criação do Museu da Floresta pars  salvaguardar o património regional e a implementação de medidas de controlo de espécies invasoras.

O presidente da Oikos, Mário Oliveira, defendeu  que as receitas provenientes da comercialização da lenha sejam reinvestidas no próprio pinhal, lembrando que há um lucro obtido "a partir da desgraça".

Avisou tambem para tempestades futuras e os seus potenciais impactos: "Se tivermos ventos fortes que deitaram abaixo mais de metade [do pinhal], a metade que sobra corre riscos de agora voltar a cair com ventos menos intensos porque estamos muito mais expostos."

O Pinhal de Leiria (ou Pinhal do Rei) foi o principal "estaleiro" natural de Portugal durante a Época dos Descobrimentos. A sua madeira de pinheiro-bravo e a resina (pez) foram os materiais essenciais usados para construir, calafetar e equipar a frota de caravelas e naus que abriram as rotas marítimas mundiais.

O pinheiro-bravo do Pinhal de Leiria era a matéria-prima de eleição nos estaleiros da costa portuguesa para fabricar mastros, cavernames e o casco das embarcações.

A extração da resina permitia produzir o pez, um impermeabilizante e isolante aplicado no casco das caravelas para evitar infiltrações e proteger a madeira do desgaste no mar

A sua importância estratégica era de tal ordem que foi criado o cargo de Guarda-Mor dos Pinhais de El-Rei, garantindo que, por cada árvore abatida, se procedia à sua replantação sustentada.

Hoje em dia, a Mata Nacional de Leiria é um grande espaço verde e de conservação da natureza, gerido pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), depois de  ter sofrido graves impactos ambientais em anos recentes.

O Partido Socialista (PS) foi quem promoveu a recuperação da Mata Nacional de Leiria após os incêndios de 2017.

A estratégia oficial focou-se no ordenamento e na introdução de diversidade de espécies arbóreas, embora o processo tenha gerado debates locais e críticas quanto à rapidez da reflorestação

A relação entre o PSD e o Pinhal de Leiria foi  marcada pela oposição e escrutínio dos sociais-democratas à gestão governamental na Mata Nacional. Depois  dos estragos da tempestade Kristin, o PSD  tem exigido mais transparência e investimento efetivo na reflorestação.

O  PSD questionou o Governo PS sobre as verbas inscritas no Orçamento do Estado, exigindo que as receitas da venda de madeira ardida (cerca de $16 milhões) fossem aplicadas na totalidade na recuperação da Mata Nacional.

Em várias ocasiões, como em 2020 e 2022, deputados do PSD no círculo de Leiria denunciaram  que a reflorestação estava parada e que o plano do ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas) pecava por falta de meios financeiros e humanos.

O CDS-PP tem defendido ativamente a reflorestação e recuperação urgente do Pinhal de Leiria. Ao longo dos anos, o partido tem exigido aos sucessivos Governos a apresentação de planos de gestão transparentes e a audição de especialistas, criticando a lentidão e a falta de informação no processo de revitalização da mata desde os incêndios devastadores de 2017.

A Iniciativa Liberal (IL) tem alertado para a necessidade de prevenção e gestão de risco de incêndio no Pinhal de Leiria (Mata Nacional de Leiria). O partido destaca a "inação em espaços sob responsabilidade pública", exigindo medidas urgentes para limpar zonas com acumulação de material combustível.

O histórico e a atualidade do Pinhal de Leiria incluem:

  • Devastação: Cerca de 86% do pinhal ardeu nos incêndios de 2017.
  • Localização: Fica no litoral centro (cerca de 120 km a norte de Lisboa), ocupando cerca de 11 mil hectares.
  • Recuperação: O ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas) tem projetos de reflorestação a decorre

O LIVRE tem acompanhado de perto a situação do Pinhal de Leiria (Mata Nacional de Leiria) tem organizado visitas de avaliação ao terreno e intervém frequentemente a nível político e parlamentar para exigir ao governo um plano urgente de reflorestação, proteção ambiental e mitigação dos riscos após os graves incêndios de 2017 e os estragos causados por tempestades severas recentes.

Atualmente, o partido destaca a importância de:

  • Avaliar o impacto dos incêndios e dos ventos fortes na integridade da mata histórica.
  • Reforçar os meios de gestão florestal e prevenção contra catástrofes naturais

A relação do Bloco de Esquerda (BE) com o Pinhal de Leiria tem sido marcada pela defesa da gestão pública sustentável, exigência de reflorestação urgente e qualificada após os incêndios de 2017, e forte crítica à inação e ao ritmo lento de recuperação por parte do Estado.

A posição e as iniciativas do Bloco de Esquerda destacam-se em vários pontos-chave:

  • Resposta aos Incêndios (Outubro de 2017): Após a devastação de cerca de 86% da Mata Nacional, o partido exigiu um plano de rearborização imediato e apresentou um projeto de resolução que recomendava ao Governo a recuperação da
  • mata com forte componente pública e ecológica.

https://youtube.com/shorts/GkpaOyFAxo8?is=YC5Z4pCpBTjfOQ4P