"Vozes que nos chamam de volta à essência da nossa condição humana, vozes que cuidam. Premiar este alerta ou este grito é, sem dúvida, mais do que um prazer. É um dever e, ao mesmo tempo, um agradecimento", acrescentou.
Sobre o premiado Rami Abou Jamous, o Presidente da República citou dados do Comité para a Proteção dos Jornalistas segundo os quais, "no ano passado, dos 129 jornalistas que perderam a vida em todo o mundo enquanto exerciam o seu trabalho, quase metade foram mortos em Gaza".
"Segundo a mesma organização, e cito, as Forças de Defesa de Israel foi a entidade governamental que matou mais jornalistas desde que o Comité começou a documentar os casos em 1992", referiu.
O chefe de Estado assinalou que, "já este ano, 16 dos 27 jornalistas mortos foram vítimas de ataques, segundo a organização não-governamental Campanha Emblema de Imprensa" e que "a maioria das mortes ocorreu no Médio Oriente, sobretudo no Líbano e em Gaza".
Sobre Bragi Guðbrandsson, mencionou que o júri do Prémio Norte-Sul reconheceu que "as suas contribuições reforçaram respostas judiciais multidisciplinares e adaptadas às crianças face à violência e aos abusos sexuais, ao mesmo tempo ajudando a moldar as normas internacionais da proteção infantil através do seu trabalho com o Conselho da Europa e as Nações Unidas".
Do jornalista palestiniano disse, "Modo de vida: fugir das bombas; objetivo de vida: sobreviver com a família; estilo de vida: cada dia é um sobressalto; emoção de vida: desespero; espírito de vida: injustiça; testemunho de vida: mortes; partilha de vida: ser ouvido, gritar à consciência da humanidade."
O chefe de Estado afirmou que "Rami Abou Jamous e muitos camaradas de profissão não baixam a voz" e procuram "relatar uma realidade distorcida pelas armas e pela propaganda", dando "notícia da barbárie, da tragédia humana", enquanto outros "no conforto veem as imagens da guerra e já não as sentem".
No fim da sua intervenção, António José Seguro considerou que o Conselho da Europa e o Centro Norte-Sul podem ser "uma força motriz capaz de estancar a deriva autocrática que se faz sentir, mesmo em regimes que se dizem democráticos".
"E é por isso que a atribuição deste prémio tem um duplo sentido e que me permite regressar ao início da minha intervenção. Distinguir as vozes que se agigantam e estremecem a indiferença mundial, as vozes que nos recordam a nossa condição humana, as vozes que cuidam dos mais frágeis e se insurgem contra a violência, distinguir estas vozes é premiar quem o faz, é premiar o sujeito, a ação e também o verbo amar", reforçou.
"Aos dois premiados, os meus sinceros parabéns e o voto de que nos voltemos a encontrar cumprindo o sonho: amanhã vai ser melhor", concluiu António José Seguro.
O Conselho de Europa é uma organização internacional de promoção dos direitos humanos, fundada em 5 de maio de 1949, com 47 Estados-membros, incluindo todos os países da União Europeia.
O Prémio Norte-Sul distingue anualmente duas personalidades ou organizações, pelo seu compromisso com os direitos humanos, a democracia e o Estado de direito.