O documento traça um cenário de forte pressão sobre os ecossistemas florestais mundiais, identificando como principais ameaças a expansão do uso intensivo da terra, os incêndios florestais, as alterações climáticas, as pragas, a exploração ilegal de recursos naturais e a insuficiência de financiamento para políticas sustentáveis de conservação.
Apesar do panorama preocupante, o relatório destaca também exemplos positivos de países que têm vindo a reforçar estratégias de proteção ambiental. Entre eles surge o Brasil, considerado atualmente o segundo país com maior quantidade de florestas do mundo, concentrando cerca de 12% das áreas verdes globais.
Segundo a ONU, entre 2020 e 2025 o Brasil conseguiu expandir significativamente as áreas sob gestão florestal sustentável. As concessões federais de florestas passaram de 1,05 para 1,59 milhão de hectares, acompanhadas por um crescimento expressivo das zonas abrangidas por planos de manejo sustentável de longo prazo.
O relatório sublinha que este modelo permitiu garantir rastreabilidade total da madeira produzida, assegurando simultaneamente conservação ambiental e retorno económico. Durante este período, foram produzidos mais de 2,15 milhões de metros cúbicos de madeira certificada, gerando receitas superiores a 41,6 milhões de dólares, equivalentes a cerca de 217 milhões de reais.
A iniciativa brasileira foi coordenada pelo Serviço Florestal Brasileiro em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, tendo como objetivo equilibrar exploração racional dos recursos naturais, preservação da biodiversidade e desenvolvimento das comunidades locais.
Outro dos pontos centrais do relatório refere-se ao lançamento do fundo internacional “Florestas Tropicais para Sempre” (TFF), promovido pelo Brasil no contexto da preparação da COP30, a próxima Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas.
O fundo pretende captar cerca de 125 mil milhões de dólares junto de fundos soberanos e investidores institucionais internacionais, criando um mecanismo de financiamento estável e de longo prazo para a preservação das florestas tropicais.
De acordo com a ONU, caso o fundo atinja plenamente os seus objetivos financeiros, poderá apoiar a proteção de mais de mil milhões de hectares de florestas tropicais em mais de 70 países em desenvolvimento.
O relatório conclui que o futuro das florestas mundiais dependerá da capacidade dos governos, instituições financeiras e organizações internacionais em criarem mecanismos inovadores de financiamento, reforçarem a cooperação internacional e desenvolverem políticas ambientais consistentes e sustentáveis.
Como afirmou o antigo secretário-geral da ONU, Kofi Annan:
“Os problemas ambientais já não são problemas do futuro. São desafios do presente que determinam a sobrevivência das próximas gerações.”
Fontes:
Organização das Nações Unidas – Fórum sobre Florestas
Serviço Florestal Brasileiro
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade