Segundo um dos promotores da acampada "a polícia desmobilizou às três da manhã", conforme terá dito à Lusa.
Para ele tal terá sido um primeiro sucesso dos manifestantes, que entretanto is comtando com o apoio de muitos portugueses.
"Se a acampada não tivesse a participação de tanta gente que temos de agradecer, se calhar, era mais fácil afastar-nos daqui", explicou o engenheiro informático, que diz ter passado bem a noite.
"Dormi como uma pedra, como o chão", "Nota-se que há uma solidariedade popular" e "estamos aqui para ficar", avisou o ativista, que se queixa de rendas desumanas.
"Eu tive sorte, mas também sei que sou um privilegiado porque tenho um bom salário e consegui arrendar uma casa sem contrato, mas tudo isto é injusto. Muito injusto", desabafou.
Os manifestantes exigem o fim da reforma da lei das rendas, aprovada pelos partidos de direita, um bem maior parque habitacional público ou o fim dos despejos para quem não tem outra opção.
"Hoje é hoje, amanhã será outro dia, mas só iremos sair se as nossas reivindicações forem atendidas", disse.
Junto à estátua, perto da acampada, colocaram-se cartazes onde se podem ler frases como "Luís, egoísmo é roubarem o nosso futuro", "a minha herança vai ser uma crise de ansiedade" ou "Se não há justiça para o povo, não haverá paz para o governo".
A poucos metros, Pedro Lourenço, 26 anos, ainda a viver em casa dos pais em Mafra, entrevistava outros turistas com uma câmara compacta para publicar nas redes sociais, pois "não podemos viver em bolhas separadas", explicou.
Quando aborda turistas estrangeiros ou portugueses, a resposta é díspar, reconheceu.
"Há muitos que sabem o que se passa em Espanha e são solidários, mas há outros que nos dizem para ir trabalhar. É normal isso", disse.
Mas depois de uma primeira conversa, as reações negativas mudam. "Se me deixam explicar o que defendemos, torna-se mais simples. Nós só queremos um direito a ter uma vida justa. E alguns mais velhos que, de início, eram contra isto desejam-nos 'boa sorte' na nossa luta", acrescentou Pedro Lourenço.
Quanto a segunda-feira, muitos dos ativistas já discutem como conciliar trabalho e o protesto.
Boa parte da Europa está a viver estas manifestações contra o aumento do custo de vida e pela habitação e Portugal no seu seio com protestos nas duas maiores cidades do país que criaram o ambiente para as acampadas no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto.
Neste ambiente as Esquerdas acusam o governo de ignorar dificuldades com o Livre a denunciar desprezo, o PCP a acusar o executivo de alheamento e o Bloco de Esquerda a considerar Montenegro desesperado.
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, afirmou ver na adesão à manifestação uma "grande força para abrir um novo rumo para o país" e responsabilizou particularmente o primeiro-ministro "pela situação em que o país está e pela situação de vida de cada uma das pessoas" presentes no protesto.