"Podem causar acidentes rodoviários e por aí adiante", explica.

"Embora o problema dentro da cidade seja mais complexo do que na praia", Pedro Vieira recorda que, há dez anos, já tinha sido desenhado um plano, com várias entidades, entre elas o ICNF e o Clube da Arrábida, para ajudar a resolver este problema, que passava por, entre outras ações, "criar pontos de alimentação para os javalis, distantes quer da praia, quer da cidade, de maneira a que se habituassem a ir comer a esses sítios e não à cidade, e onde poderiam ser feitos os abates seletivos desses animais".

O presidente do Clube da Arrábida lembra que os "javalis são um animal oportunista que encontra alimento muito facilmente, sobretudo junto aos caixotes de lixo".

Sugeriu-se "caixotes inacessíveis aos javalis” que chegaram a ser colocados "durante um ano ou dois e depois foram substituídos por outros, que não cumprem".

A Câmara Municipal de Setúbal "começou a disponibilizar informação ao público com placares chamando a atenção para o perigo dos javalis".

Segundo o dirigente associativo Pedro Vieira aconteceu um episódio semelhante há dois anos: "Apareceram uns sete ou oito javalis na praia, que estiveram na praia desde a primavera até junho. Houve uma ação de correção de densidade com caçadores devidamente credenciados pelo ICNF e esses javalis foram abatidos e retirados da praia."

Mas depois  dessa correção, "houve uma polémica muito grande, empolgada pelo PAN, baseada numa campanha muito grande de mentiras e, a partir desse momento, não houve coragem política para dizer não".

"Foi uma ação legal, dentro de um enquadramento legal, e vai ter de continuar a ser feita para evitar problemas. [...] O que aconteceu foi uma retração na emissão de credenciais e agora temos este problema porque os javalis apareceram na praia no início da primavera, foram identificados, o ICNF foi notificado várias vezes e enterrou-se a cabeça na areia", atira.

A questão da interação dos javalis com as pessoas e o problema de saúde pública não são os únicos obstáculos.

O presidente do Clube da Arrábida sublinha que "o javali, se não for corrigido, faz um dano brutal à biodiversidade da Serra da Arrábida".

"Dentro do próprio espaço do parque há uma série de espécies protegidas e que são únicas na Serra da Arrábida, que estão a desaparecer, nomeadamente uma série de espécies de bulbosas, de bulbos, de flores, de orquídeas e por aí adiante, que os javalis comem.

Estão a pôr em risco a existência dessas espécies, porque a população de javalis não está a ser controlada. [...] O javali neste momento não tem um predador natural", afirmou o dirigente .

Em 2025, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas estimava que, anualmente, eram abatidos entre 400 e 600 animais. Este ano, a estimativa aumentou para entre 600 e 700.

Saibamos que o javali (Sus scrofa) é uma espécie exótica invasora de grande adaptabilidade que provoca graves danos económicos na agricultura, desequilíbrios severos nos ecossistemas naturais e riscos sanitários consideráveis para os animais e para a saúde pública.

  • Destruição de campos cultivados (milho, batata, cereais e pomares).
  • Perdas financeiras elevadas para agricultores devido a safras inteiras dizimadas.
  • Danos em cercas, infraestruturas rurais e pastagens.
  • Revolvimento constante do solo à procura de alimento, o que acelera a erosão.
  • Degradação e destruição de nascentes de água e assoreamento de linhas de água.
  • Competição por alimento (como bolotas e castanhas) com a fauna nativa.
  • Destruição de ninhos, predação de ovos e de crias de aves e pequenos animais terrestres.
  • Transmissão de doenças graves para o porco doméstico e suinicultura (como a peste suína africana).
  • Vetor de agentes patogénicos e parasitas transmissíveis a outros animais silvestres e a humanos

Entretsnto o partido PAN opõe-se ao abate e à caça de javalis para controlar a sobrepopulação e propõe alternativas como o controlo contracetivo ( forma científica de matar e que é feita sem o conhecimento do alvo) além de denunciar abates públicos e questionar montarias, gerando forte debate político e mediático em Portugal.