O trabalho, que conta com a participação do investigador Jorge Assis, do Centro de Ciências do Mar (CCMAR), determina onde este carbono tende a acumular-se.

O carbono azul é o dióxido de carbono (CO₂) capturado e armazenado pelos ecossistemas costeiros e marinhos.

Ecossistemas Principais

Pradarias de ervas marinhas: Plantas subaquáticas que retiram carbono à medida que crescem

Sapais: Pântanos salgados costeiros que acumulam matéria orgânica no solo.

Florestas de algas e mangais: Áreas de vegetação marinha ou tropical que retêm grandes quantidades de carbono nos sedimentos.

Importância

Armazenamento de longo prazo: Retêm carbono no solo por décadas, séculos ou até milhares de anos.

Alta eficiência: Podem armazenar muito mais carbono por hectare do que as florestas em terra.

Mitigação climática: Ajudam a reduzir os gases de efeito de estufa na atmosfera e combatem o aquecimento global.

Os investigadores pegaram em dados recolhidos ao longo dos anos nos mares europeus e analisaram-nos com a ajuda da Inteligência Artificial.

"As zonas costeiras são as que têm mais carbono, e não os fundos longe das costas", revelou à TSF o investigador Jorge Assis.

Habitats como as pradarias de ervas marinhas ou os fundos lamacentos são outros locais onde se aprisiona com mais frequência o carbono azul. "Geograficamente, o que descobrimos é que mares como o Mar do Norte, o Báltico e o Adriático são zonas onde existe muito mais carbono, em comparação com zonas de mar aberto", explica, acrescentando que "zonas de águas calmas permitem que o carbono assente e se acumule ao longo de milhares de anos".

Em Portugal, zonas como os estuários do Tejo e do Sado, a Ria de Aveiro, a Ria Formosae, por exemplo, o canhão da Nazaré são locais onde se acumula mais carbono azul.

Os investigadores sabem também que o aumento da temperatura dos marese atividades como a pesca de arrasto ou as dragagens estão a degradar e a libertar este carbono orgânico capturado no fundo dos oceanos.

"Quando o fundo dos mares é remexido, este carbono que estava aprisionado, liberta-se para a atmosfera e contribuiu para o aumento dos gases de efeito estufa", lamenta.

Jorge Assis acredita que, com este mapeamento,será possível "gerir o fundo do mar, permitir que as atividades humanas se desloquem para locais que têm menos carbono e salvaguardar estas áreas que são únicas".

Liderado pela Universidade de Aarhus, na Dinamarca, o estudo reuniu investigadores de quatro países europeus: Dinamarca, Noruega, Portugal e Reino Unido. A investigação integra o projeto europeu MPA Europe, cofinanciado pela União Europeia, através do programa Horizonte Europa, que pretende reforçar a base científica para o planeamento de áreas marinhas protegidas nos mares europeus.