Um Outubro mais juvenil e tão agitado quanto o Maio 68? 

Sim esse excecional maio de primavera feito que muitos como eu sonharam de longe e nao viveram que mudou politico-culturalmente o Mundo saído de Paris .

Um Paris feito Historia da Revolução como acentuaram Marx e Engels,

“A Comuna, nomeadamente— prosseguem —, forneceu a prova de que “a classe operária não pode limitar-se a tomar conta da máquina de Estado que encontra montada e a pô-la em funcionamento para atingir os seus objectivos próprios”...»

As palavras desta citação postas duas vezes entre aspas foram tiradas pelos autores da obra de Marx “A Guerra Civil em França”.

Assim, Marx e Engels consideravam que uma das lições principais e fundamentais da Comuna de Paris tinha uma importância tão gigantesca que a introduziram como uma correcção essencial ao Manifesto Comunista.”

Por muito que se queira esconder de Paris vieram demasiadas Revoluções para poder ser analisada com os olhos infantis que olham este movimento nascido nos Liceus e nao nas universidades como o maio68 a partir dos olhares de um tal Lecornu “Temos o dever de escutar os estudantes”, que ainda assim nao se coloca ao lado dos fascistas sitiados no Parlamento Europeu!

Marx e Engels entendiam bem  que uma das lições principais e fundamentais da Comuna de Paris tinha uma importância tão gigantesca que a introduziram como uma correcção essencial ao Manifesto Comunista.

Paris nao é só a burguesa Paris da Moda é sempre um vulcão político-cultural-social sempre pronto a explodir melhor ou pior!

Vejamos hoje o movimento de 2026,

Centenas de escolas de ensino médio e outras instituições (entre 900 e mais de 1.000), tiveram suas aulas interrompidas ou totalmente suspensas devido a bloqueios e protesta-se contra,

    *   A falta de professores e de equipes de apoio e supervisão.

    *   As condições materiais precárias nas instituições de ensino.

    *   O número excessivo de alunos por turma e problemas com os horários das aulas.

    *   A contestação da pressão e das regras associadas à plataforma Parcoursup.

    *   Entre os estudantes universitários, o corte nos auxílios-moradia agrava a precariedade e os leva a aderir à luta.

Uma outra novidade face ao maio69 alem de a movimentacao ter nascido nos meios liceais está no apoio dos sindicatos de trabalhadores e os do setor de educação (CGT, Solidaires, FSU, FO, UNSA, CFDT, SUD) que convocaram greves e manifestaram-se em apoio às marchas dos jovens, como tambem o apoio de todos os partidos do centro esquerda à extrema esquerda ( em maio68 os apoios partidários limitavam-se aos partidos da extrema esquerda!)

As manifestações resultaram, por vezes, em confrontos com as forças de segurança e em detenções em massa, evocando — segundo observadores e atores políticos — a memória dos eventos do Quartier Latin em maio de 1968.

É neste contexto que o Mundo re-olha para Paris com a imprensa internacional a acompanhar  o movimento estudantil do ensino médio e a gerir conclusões meramente economicistas, denunciando um sistema escolar "subfinanciado", pelo  macronismo em declínio e ainda a sua resposta de "brutalidade desastrosa".

"A revolta dos estudantes toma as ruas da França.", diz o *El País*, que para o diário espanhol, a mobilização de terça-feira, 6 de outubro — "a maior manifestação estudantil em décadas" — reflete "o esgotamento de muitos setores após dez anos de 'macronismo', austeridade e fragmentação social".

O *Dagens Nyheter*, da Suécia, também critica a política do governo e o desempenho do presidente da República, que tem mantido discrição desde o início dessa onda de protestos. "Quando foi eleito presidente, Macron compromete-se a melhorar a mobilidade social na França", diz o jornal sediado em Estocolmo. "No entanto, os problemas relacionados às desigualdades e ao elitismo persistem." Um editorialista avalia que "não se pode simplesmente rotular os alunos como crianças mal-educadas e mimadas [...]. Eles relatam salas de aula superlotadas, professores substitutos que nunca aparecem e, em algumas escolas, até mesmo a presença de ratos".

O *Guardian* lamenta «a resposta do governo de Emmanuel Macron, [que] foi de uma brutalidade desastrosa» adotando um tom de quem dá uma lição para repreender dirigentes negligentes: «A classe política deve ouvir a voz dos estudantes [...]. Uma geração confrontada com desafios sem precedentes merece mais do que um sistema educacional com financiamento insuficiente.»

A intervenção das forças de segurança, sem «grande contenção», para desfazer os bloqueios em escolas de ensino médio levou a «uma escalada de violência inaceitável de ambos os lados», segundo o *Guardian*.

Ainda no Reino Unido, o repórter do diário conservador *The Daily Telegraph* relata ter ficado encurralado entre os gases lacrimogêneos durante a manifestação de terça-feira. «Assim como centenas de outras pessoas presentes na Place de la Nation, em Paris, o repórter do *Telegraph* tem dificuldade para respirar e enxergar em meio às densas nuvens de gás», descreve o jornalista, lamentando que «os policiais tenham bloqueado todas as saídas».

«Agentes franceses usam granadas e balas de borracha»

O *New York Times* também repercute a violência que tem marcado as ruas francesas nos últimos dias. «Confrontos eclodiram entre manifestantes e forças de segurança na França, à medida que milhares de pessoas aderiram aos protestos organizados por estudantes», descreve o jornal, lembrando que a polícia é acusada de «ter usado força desproporcional contra alunos de apenas 14 anos».

Um dos jornais mais lidos da Itália, o *Corriere della Sera*, destaca que o slogan mais difundido é italiano — «siamo tutti antifascisti» (somos todos antifascistas) — e denuncia a repressão ao movimento.

«Ao contrário do que ocorre no restante da Europa, agentes franceses utilizam granadas e balas de borracha contra os manifestantes, disparadas por vezes na altura do corpo e sem respeitar as distâncias de segurança. Trata-se de "armas não letais" que, no entanto, arrancaram a mão de um jovem, custaram um olho a outro e quebraram a mandíbula e a dentição de um terceiro», escreve o correspondente do jornal.

Surgem pois entre  diversos meios  de imprensa internacionais os paralelos com maio de 68.

No jornal suíço *Blick*, do *Dagens Nyheter* e também da *Der Spiegel*, que traz a seguinte manchete: "A França vive uma reedição da revolta de 68?".

O liberal semanário alemão descreve as manifestações de estudantes do ensino médio como algo que assume os contornos de um "movimento de massa".

"Seria este o início de uma revolta de esquerda?", questionam os colegas da imprensa, para quem "Jean-Luc Mélenchon já sonha que a revolta da juventude o conduza ao Eliseu".

Além das reivindicações políticas, a mobilização deflagrada pela Geração Z na França reflete, na visão da *Der Spiegel*, inquietações de ordem existencial: "Trata-se do sentimento de uma geração que cresce em um mundo que se voltou contra ela".

No portugalinho paparaziano vive-se os apelos “à ordem” habituais…

Quem acompanhou em Portugal o movimento estudantil do ensino secundário na luta antifascista liderado por ativistas como Pedro Ferraz de Abreu ou o “Tarzan” sabe bem da importância destas movimentações!