Paulo Raimundo disse que o ministro da Educação, Fernando Alexandre, no debate promovido pelo PCP, "conseguiu estar 40 minutos sem dizer nada e, quando abriu a boca, nada disse".
"Não disse porque ele não tem como justificar o injustificável e a única coisa que ele podia ter dito era dizer peço desculpa. Mas até nisso lhe faltou a coragem. Até nisso lhe faltou aquilo que é a verticalidade da sua responsabilidade", denunciou.
Segundo o secretário-geral do PCP, na origem do problema verificado nos exames nacionais, está a política do Governo de "desmantelamento do Estado".
Referiu que no Ministério da Educação foram dispensados mais de 500 profissionais, o que "desorganizou toda a estrutura - e os resultados estão à vista".
"A expressão mais visível que temos neste momento é exatamente toda esta bronca, toda esta atrapalhada, com consequências na vida de milhares de estudantes e de milhares de famílias",e, seguida atacou o primeiro-ministro, Luís Montenegro.
"Independentemente das opiniões que possamos ter sobre a arrogância, sobre um umbigo demasiado grande, sobre a ideia de que só ele [Fernando Alexandre] é que marcha bem, a verdade é que a responsabilidade não é só dele. A responsabilidade é do Governo todo e do primeiro-ministro, que teve a coragem de dizer - e ainda bem que disse - que estava ao lado do ministro da Educação", assinalou o líder comunista.
Luís Montenegro esteve ao lado do ministro da Educação quando este "voltou a acusar os professores, os diretores de escola pela responsabilidade que é dele".
"Se o primeiro-ministro esteve ao lado do ministro da Educação, então, se fosse um homem de coragem, um homem de palavra, um político com responsabilidades, então assumia todas as responsabilidades que advêm da situação criada", sustentou.
E mais disse, "Vamos ver se há coragem ou vamos ver quem é o primeiro a cair em toda esta história".
Para Paulo Raimundo a política do Governo PSD/CDS, é "apoiado naquilo que é fundamental pelo Chega e a Iniciativa Liberal e a quem o PS teima em dar a mão".
Deixou farpas ao Chega ao fazer a seguinte advertência: "Não se iludam com as gritarias, não se iludam com os teatros, não se iludam com os TikToks, porque no essencial nada separa o PSD, o CDS, o Chega e a Iniciativa Liberal".
Deixou ainda outro recado, considerando que, no âmbito da ação do executivo, "não há um problema do ministro A, B ou C".
"É claro que, quando se juntam na mesma sala, no mesmo Conselho de Ministros, umbigos muito grandes, a arrogância extrema, projetos políticos para desancar nas nossas vidas, é claro que não é indiferente o estilo, a forma de estar, a arrogância deste ou daquele ministro. Mas o problema de fundo não é a pessoa A, B ou C. O problema de fundo é uma política que tem um objetivo concreto ao serviço de uns poucos", considerou.
Paulo Raimundo denunciou que "há um plano em curso para destruir os meios públicos, os recursos de todos para entregar todos esses recursos nas mãos de poucos".
"E para esse plano ser implementado, é mais fácil que nós estejamos divididos", acrescentou.