Um movimento militar para pôr fim a uma guerra colonial em fase de derrota abriu as portas à Liberdade mas esta nao encontrou caldo suficiente para ir alem de um democratico burguês regime!
O centro de um caduco imperio era um caduco e falido pequeno país e Jose Mario Branco confronta-se e confronta-no no FMI com tal com uma poetica revoltada brutal e crua
Nao sabemos como será a criação assinada pelo filho, João Branco, e por Xullaji, é o nome artístico de Nuno Santos, um rapper português filho de pais cabo-verdianos. em estreia no domingo no Teatro Municipal Rivoli, no Porto.
A estreia absoluta será presentado pelas 19h00 no domingo24.05, e tem honras de encerramento do Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI).
A direção artística e de dramaturgia de João Branco e direção musical de Xullaji, sendo falado em crioulo com legendagem em português.
No FMI KAPA' cruza-se o teatro, a música e a performance levantsndo questões urgentes do nosso tempo como a identidade, a desigualdade social e a colonialidade, a partir de vivências afrodiaspóricas e periféricas", pode ler-se na sinopse.
À Lusa, João Branco, há muitos anos a trabalhar em Cabo Verde, explica que o retrato de Portugal, em "todos os seus problemas, sociais, raciais, económicos", é "trazido à tona a partir de uma energia muito peculiar, que é a energia da cultura negra, das periferias de Lisboa, que também vem muito de Cabo Verde, da Guiné-Bissau".
Será este espetáculo , "uma espécie de manifesto artístico sobre o Portugal de hoje, em diálogo permanente com o 'FMI' original", e um convite "a imaginar futuros possíveis", cruzar memórias coletivas e pessoais, "silêncios históricos e formas de resistência".
"Há muitas problemáticas e questões que são levantadas no 'FMI' que hoje se levantam de forma mais intensa, mais problemática. Não podemos dizer que este seja propriamente um espetáculo otimista. Gostava que saíssem como saíam quando viam o 'FMI', que, de certa forma, saíam quase 'empurradas' para uma reflexão", refere.
Este espetáculo integra uma trilogia da Saaraci Coletivo Teatral, designada "25 de Abril Crioulo", dedicada ao "pensamento cabo-verdiano" sobre a Revolução dos Cravos, com "Dona Pura e os Camaradas de Abril" e "Cabral Corpo" como antecessores.
"Na altura em que se comemorava e falava dos 50 anos do 25 de Abril, a perspetiva que foi dada, e que tem sido dada, era unidirecional, de como os portugueses, os que estavam cá, que são portugueses e falam a língua portuguesa, viveram a Revolução. Na verdade, as abordagens que foram sendo feitas acabaram por deixar um pouco de lado outras vivências e narrativas que também são importantes, nomeadamente da comunidade cabo-verdiana que vivia em Portugal, e ainda vive, uma comunidade muito grande", lembra João Branco.
É por essa perspetiva que a trilogia existe, chegando agora a "FMI Kapa", que tem "a música como grande protagonista", mesmo não sendo um concerto, e dialoga com "a 'FMI' original", diz sobre uma das obras mais reconhecidas do reportório do pai, José Mário Branco.
"É um espetáculo sobre o Portugal de hoje, em diálogo permanente com o 'FMI' original. Não é uma adaptação, não é uma tradução, do 'FMI'. Ele até nem aparece 'ipsis verbis'. Eu digo que este espetáculo tem sete intérpretes, cada um dos 'performers' e cocriadores do espetáculo, que está em cena fisicamente, e o próprio Zé Mário. Também entra, também comenta, é ouvido, entra em diálogo. De que maneira isso é feito, deixo para as pessoas que vão ver o espetáculo", refere o encenador.
"Tinha uma relação pessoal de muita cumplicidade artística com o Zé Mário. Ia muitas vezes ao Algarve, e ao voltar, parava sempre no Seixal para estar com o Xullaji. [...] Daí a minha insistência para que ele assumisse a direção musical deste espetáculo. [...] Temos também em cena o Afonso Branco, que é neto do Zé Mário, um bom músico que tem uma visão próxima da minha da importância e amplitude da obra", lembra.
No elenco estão Afonso Branco, Xullaji, Ghoya, Marinho Pina, Mynda Guevara e Rute Ferreira, com participação especial de Lisa Reis, e a peça conta com vídeo do cineasta Basil da Cunha.
Com o apoio da Direção-Geral das Artes e da Fundação Calouste Gulbenkian, "FMI KAPA" é uma coprodução da Saaraci Coletivo Teatral, FITEI, Teatro Municipal do Porto e Teatro Municipal de Faro, com residências em Portalegre (Um Coletivo) e Seixal (Tabanka Sul).
"Nós queremos que aconteça um pouco isto: que as pessoas saiam deste espetáculo e... 'e agora, o que é que eu vou fazer com isto?' Aliás, uma pergunta que é feita no FMI: 'o que é que eu ando aqui a fazer?'".
Nós os que nao se encantaram com sonhos que buscaram a Democracia possivel e nela continuaram o combate foram sendo derrotados porque dos revolucionários poucos sobraram e no campo dós contra-revolucionário muitos cresceram no sonho de um fmi “democrático” que nunca acontecerá!