Destes 60 militantes ex BE. 33 sao do Norte/Centro do pais e 27 de Lx, Sul e Açores numa distribuição incomum sobre a distribuição das Esquerdas
Disse-nos ainda António Soares da Luz que estes militantes e os que se têm afastado do BE ou sao dirigentes sindicais da CGTP, ou membros de CT’s, sindicalistas de base, ou de associções varias.
Diria Camoes,
“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o Mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.”
Na verdade se vivemos um significativo retrocesso politico social os sinais de mudança estao nos exemplos demonstrados com esta saida do BE de mais 60 militantes!
Nos 60 estao o histórico da UDP Mário Tomé e o ex-deputado Pedro Soares, aos anos críticos da direção do BE
"O Bloco a que aderimos e ajudámos a construir com entusiasmo e empenho já não o é. Sabendo que muitos dos que ainda permanecem são genuínos militantes por uma esquerda de combate", referiram ainda.
Mas o mais importante é divulgar este Manifesto no seu todo,
NOSSO BLOCO ACABOU
1. Começar de Novo foi o projecto estratégico que presidiu ao nascimento do Bloco de Esquerda: “pôr fim ao rotativismo do centrão” em que “nada se espera do PS nem se fica à espera do PCP”.
Com o soçobrar do Leste, era necessária uma alternativa que renovasse a esperança na luta por uma nova sociedade.
Pela sua consistência e radicalidade, apontando à luta anticapitalista e abrindo-se às ideias socialistas e da democracia a que juntou uma visão associada à defesa da natureza e dos direitos
fundamentais do ser humano, em todas as suas vertentes e expressões decorrentes e compatíveis com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Bloco de Esquerda afirmou-se na sociedade portuguesa.
2. A luta contra o imperialismo e as manifestações contra a guerra em 2001 e 2003 cimentaram um projecto que suscitou entusiasmo popular e adesão de múltiplas personalidades que alargaram o
apoio dos militantes das forças que lhe deram origem, conferindo assim consistência à proposta política de que resultou a eleição de dois deputados para a AR e ainda um deputado para o Parlamento Europeu em 2004.
A representação institucional manteve-se com altos e baixos. Hoje com um deputado na AR,
uma deputada no PE e uma vereadora (eleita em coligação com o PS), depois de ter alcançado uma representação de 19 deputados na AR em 2015 e 2019, 3 deputados no PE em 2009 e 12 vereadores em 2017.
3. O Bloco esteve na iniciativa e na primeira linha da necessária resposta à política brutal imposta pela troika.
Porém, o restrito núcleo dirigente, iludido com um PS supostamente interessado na
continuidade da chamada “geringonça”, cedo transformou um acordo fruto das circunstâncias, numa
estratégia que o fez perder autonomia política.
Confundiu-se com a prática do Governo.
Cedeu na afirmação de propostas fundamentais de reforço do SNS, enfrentamento da crise habitacional, abolição
das medidas que vieram a estar na base da propostas do Governo para revisão da legislação laboral.
Não foi claro na recusa da ofensiva contra lutas sindicais, como a dos motoristas de matérias perigosas e a militarização do direito de greve, o ataque à luta dos estivadores pelo contrato coletivo e a
resistência à requisição civil, as medidas laborais na crise pandémica.
A centralidade do trabalho foi-se esbatendo.
4. A perda sucessiva de eleitos, sendo muito significativa e contínua, foi sintoma evidente de acentuada quebra de influência política e social. Tornou-se insustentável.
A estratégia de uma “esquerda grande” ou da “participação no governo, com indicação de ministros concretos”, substituindo uma estratégia
autónoma, levou ao caminho da derrota.
Ao longo de todas as eleições, a maioria da Direção saída das
últimas Convenções Nacionais recusou-se sistematicamente a fazer, e a apresentar aos militantes, os balanços absolutamente necessários para interpretar as razões do descalabro e, a partir daí, refletir e corrigir o que devesse ser corrigido tendo em conta os fundamentos do Começar de Novo.
5. A força começou a perder-se, logo, quando foi assinalado que o projecto do Bloco teria o seu cerne político a partir da ação no Parlamento.
A centralização da atividade, o cercear da democracia e da
participação, os cadernos eleitorais não atualizados, as Convenções adiadas e fora dos prazos estatutários, as sucessivas perseguições através de comissões de inquérito e sanções, a recusa anti estatutária em aceitar a expressão de Assembleias Distritais na indicação de candidatos, criaram umcaldo de cultura antidemocrático e de mal-estar que culminou com os despedimentos arbitrários por
posicionamentos políticos críticos ou no caso das “mães que ainda amamentavam”.
6. A centralização das decisões num Secretariado sem competências para tal, mas omnipotente, levou ao afastamento de quem expressava posições críticas ou alternativas, nomeadamente de muitos que lhe tinham dado o primeiro fôlego aquando do seu aparecimento, levou à desmotivação e mesmo ao
abandono de centenas de militantes, de muitos dirigentes nacionais e distritais.
7. Em vez de militantes, tivemos “aderentes”, e a organização de base foi desprezada ao ponto de, onde existia, nomeadamente na forma de núcleos, ter sido inviabilizada com base em decisões ad hoc e violentamente persecutórias. Assim, transformou-se uma organização pujante de militantes, num sistema de grupos organizados e fechados (tendências) à margem da democracia do Bloco, onde tudo
se decidia, o que, em última instância, resultou num único objetivo: manter um poder blindado à crítica e constituído por inamovíveis, contra os interesses próprios do Bloco enquanto entidade coletiva e
plural.
O debate para definição das orientações políticas, em vez de plural estreitou-se nas baias
impostas pela maioria da Direção.
8. O restrito núcleo dirigente assumiu-se como incapaz de colocar em causa o rumo da “geringonça”.
Passou a ser visto como um apêndice do PS.
Da resposta política certa, o Bloco embarcou acriticamente
na “geringonça”.
Afeiçoou-se à ideia de doces entendimentos e, a despeito e contra o seu próprio
programa transformador, colocou como objetivo central, proclamado na Convenção de 2019, a participação no Governo, numa triste rendição a uma social-democracia por sua vez dissolvida no
neoliberalismo.
Com isto o caminho da extrema-direita ficou mais aplanado, para além dos diversos fatores políticos e sociais que impulsionaram o seu crescimento.
Quando, perante a evidência da
derrota dessa orientação, o Secretariado tentou dar um sinal contrário, já não foi a tempo.
Descredibilizou-se perante a opinião pública.
Os resultados eleitorais não deixam margem para dúvidas.
9. A ausência de combate à política antissocial do governo de António Costa levou à penalização do Bloco pela linha ziguezagueante e incoerência do voto no Orçamento/2021, assim como pela convivência com o Governo de maioria absoluta que abriu o espaço à vitória da direita e à progressão
e afirmação da extrema-direita. O apoio à guerra da Ucrânia, em vez da defesa com toda a urgência de um plano de paz, com medo de perder votos, sob o pretexto de que era uma luta pela autodeterminação, escondeu toda a intervenção da NATO a Leste que acabou por ser argumento para a condenável invasão russa.
Este comportamento errático ajuda a explicar a votação no Parlamento Europeu (19.Out.2023 RC-B9-0436/2023) a favor do projeto de resolução que, em plena ofensiva
militar israelita e cerco a Gaza, apoiava o “direito de Israel se defender” em preparação do genocídio, e que só uma semana depois veio a emendar.
10. Errar é humano.
Reconhecer o erro também o é. Porém, o núcleo dirigente impôs-se autocraticamente recusando uma reflexão autocrítica, recusando fazer qualquer balanço da ação
política do Bloco fossem quais fossem os resultados, caluniando, perseguindo mesmo, as vozes
críticas que alertavam para a perda de influência e credibilidade políticas e para a necessidade de
mudança de rumo.
Com argumentos em apoio, muitos militantes procuraram internamente inverter
o centralismo do Secretariado, a desqualificação da Comissão Política e da Mesa Nacional onde estavam
representadas outras sensibilidades, foram exigidos em Convenções Nacionais balanços fundamentados dos resultados e das decisões para que daí se pudessem retirar as devidas consequências políticas.
Ficou evidente que para o Secretariado era um exercício impossível.
Obrigaria ao reconhecimento de erros graves e da aguda necessidade de mudar a linha política que o sustentou
nos últimos anos.
O núcleo dirigente central não estava disponível para se colocar em causa.
11. A maioria da Direção afastou-se do pulsar e do sentimento popular, burocratizou-se e institucionalizou-se, ficou insensível à crítica interna e sem projeto político autónomo credível; “a verdade oficial da burocracia é a de não ser”, como ressalta Guy Debord.
Quer pela capitulação à
pressão do social-liberalismo mascarado de social democracia, quer pela consequente degradação da
organização democrática que alijou a participação dos militantes feitos aderentes, o Secretariado abandonou o projecto que nos conjurou e entusiasmou.
12. Assim, o Bloco a que aderimos e ajudámos a construir com entusiasmo e empenho já não o é.
Sabendo que muitos dos que ainda permanecem, são genuínos militantes por uma esquerda de combate.
Sem pena, dadas as circunstâncias expostas, mas lamentando o fim de um projecto que se destinava a unir amplos setores da sociedade por uma alternativa contra a hegemonia neoliberal,
tendo como horizonte a radical transformação da sociedade, deixamos de ser bloquistas porque o nosso Bloco acabou.
Sempre empenhados em começar de novo, a luta continua.
Adelino Granja – 4507 – Leiria
Alberto de Sousa e Silva – 197 - Vila Nova de Gaia
Ana D‘Espiney - 15161 - Lisboa
Ana Paula Vidal Bastos – 16582 - Porto
Ana Rute Domingues Araújo – 11619 - Maia
André Queirós Amorim – 1227 - Maia
Aniceto Correia - 968 - Seixal
António Castela - 14823 - Lisboa
Antonio Joaquim Soares da Luz – 342 - Porto
António Miguel - 10714 - Lisboa
Armando Rocha - 14192 - Lisboa
Carlos Madruga - 300 - Lisboa
Carlos Marques - 1095 - Lisboa
Daniela Louro - A3144 - Lisboa
Diogo Miguel Pinto Borges – 12897 - Porto
Eduarda Monteiro -1094 - Lisboa
Eva Luísa da Rocha Coelho - 10108 - PenafielFernando Bessa Ribeiro – 14319 - Braga
Fernando Napoleão Campos Oliveira – Ovar
Filomena da Conceição Sousa Cirne – 9050 – Vila Nova de Gaia
Francisco Amorim dos Santos Baptista - 1235 - Maia
Francisco Tomás - 755 - Seixal
Gabriela Mota Vieira – A3844 – Açores
Israel Silas Domingues Araújo - 10508 - Maia
Ivo Emanuel Moreira Barros - 9043 - Penafiel
João Eugénio Teixeira Loureiro - 12544 - Maia
João Marques - 6763 - Lisboa
João Mota - 15430 - Sintra
João Vaz - 2743 - Lisboa
Joaquim Fernando Pereira Araújo - 10222 - Maia
Jorge Afonso – 102 - Aveiro
Jorge Nicolau de Sousa Lourenço - 1240 – Porto
José Bastos – 5958 - Lisboa
José Carlos Lopes – 697 - Ovar
José Casimiro - 660 - Lisboa
José Domingues Pereira Frutuoso - 10436 - Maia
Leandro Miguel Bastos Pires - 16051 - Porto
Leonor Antunes Magalhães Carvalho Pinto – 15350 - Amarante
Liberato Ribeiro de Almeida – 702 - Ovar
Luís Miguel Vale - 3823 - Porto
Luís Possantes - 14559 - Lisboa
Lurdes Maria da Silva Gomes - 9844 - Vila Nova de Gaia
Luz Celeste Vieira Queirós dos Santos Baptista - 1246 - Maia
Manuel Carlos Silva – 12121 - Braga
Maria do Carmo - 6132 - Lisboa
Maria do Sameiro - 596 - Lisboa
Maria Elisa Carvalho Antunes Magalhães - 3812 - Amarante
Maria Jose Magalhães - 1340 - PortoMário Correia - 7958 - Lisboa
Mário Tomé - 3716 - Lisboa
Miguel Cabral - 2247 - Lisboa
Nelson Jorge Pereira Moura - 14875 - Maia
Nuno Manuel dos Santos Silva - 14874 - Maia
Paulo Renato Cardoso Ricardo - 2055 - Porto
Pedro Queirós Amorim - 1261 - Maia
Pedro Soares - 108 - Lisboa
Ricardo Salabert - 1961 - Porto
Rui Castro - 4760 - Lisboa
Vítor Ferreira - 719 - Lisboa
William Naval - 7334 – Lisboa
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Contactos: António Soares da Luz – 919920374; José Bastos – 919831036; Mário Tomé –
965217115.
2026.07.14