E como o capitão Pedro Tavares lá nos céus não pára de verberar esta analfabeta cheganice 

É um dos  nomes da expansão portuguesa no Oriente  menos conhecidos  este  Pedro Tavares. 

Capitão, mercador e diplomata, foi ele quem, por volta de 1579, negociou com o poderoso imperador Akbar, o Grande, o direito de estabelecer uma colónia portuguesa nas margens do rio Hooghly, no atual Bangladesh.

Pois foi no século XVI, ( imaginem ha quase 500 anos )  em plena era para uns dos Descobrimentos, para outros da Expansão, para nós de Encontros com o restante Mundo que o capitao Pedro Tavares e demais  marinheiros  portugueses chegaram a Chittagong.

Este era então conhecido como o “Porto Grande de Bengala”, dado o papel deste capitão a cidade foi  o primeiro entreposto europeu de grande escala na região e um ponto estratégico nas rotas comerciais do Índico.

Esta  presença portuguesa marcou o início de uma relação complexa entre o Império Marítimo Português e os reinos de Bengala, num capítulo de trocas económicas, culturais e religiosas no extremo oriental do mundo conhecido.

Mas e porque o imperio português era de comercio e pouco de ocupação em 1666, a conquista de Chittagong pelo Império Mughal ditou o fim do domínio português nesta regiao, mas fazendo com que  muitos dos seus habitantes se integrassem na sociedade local.

Por tal o legado luso sobrevive: topónimos como “Firingi Bazar”, traços arquitectónicos coloniais e várias palavras de origem portuguesa no idioma bengali recordam o papel determinante dos portugueses na formação histórica e cultural do atual Banglades

PALAVRAS BENGALI QUE DERIVAM DO PORTUGUES

  • জানালা (janala) — janela (“window”) 
  • চাবি (chabi) — chave (“key”)
  • বালতি (balti) — balde (“bucket”) 
  • বোতাম (botam) — botão (“button”)
  • আলমারি (almari) — armário (“closet/cupboard”)
  • কামিজ (kamij) — camisa (“shirt”) 
  • সাবান (saban) — sabão (“soap”)
  • আনারস (anarôsh) — ananás (“pineapple”)

Esta entrada dos portugueses em Bengala veio em consequencia  da  sua consolidação no Índico e nas Molucas, e foi motivada pela busca de novas rotas e mercados para o comércio de especiarias, tecidos finos (como o muslin bengalês) e açúcar.  

Em 1517–1528 já existia um posto comercial português em Chittagong, autorizada pelo sultão bengalês.

A partir dali, os portugueses combinaram comércio legítimo, actividades missionárias (primeiras igrejas cristãs em Bengala) e, por vezes, pirataria ou alianças instáveis, o que lhes granjeou tanto espaço de influência como inimizades.

Em Dhaka, os portugueses estabeleceram missões e pequenas comunidades desde meados do século XVI.

A igreja da Holy Rosary Church, Tejgaon, em Tejgaon-Dhaka, é apontada como uma das mais antigas construções portuguesas no país (final do século XVI-início XVII) e marca a sua presença contínua, ainda que diminuída. Em Chittagong permanece o edifício conhecido como Darul Adalat ou “Portuguese Building”, antigo centro de administração português, que se encontra actualmente em risco de desmoronamento. 

Embora o domínio português tenha sido relativamente curto, o seu impacto cultural é visível nomes de locais como “Firingi Bazar” lembram a presença desses europeus (‘firingi’ era o termo local para estrangeiros brancos).

A introdução de novos alimentos e técnicas agrícolas, como o pimento-chili, o ananás ou o mangueiro «Alfonso», também está associada à dinâmica das rotas ultramarinas portuguesas.

A presença portuguesa encontrou inúmeros obstáculos: resistência local, pirataria, rivalidades com outros europeus (holandeses, ingleses), e a intervenção do império Mughal que em 1666 reconquistou Chittagong.

A partir desse momento, os portugueses deixaram de ser actores autónomos no Bangladesh e passaram a integrar-se como comerciantes menores ou missionários isolados.

Para o Bangladesh actual, a história portuguesa serve como ponte entre o passado global de Bengala e os fluxos marítimos da era moderna. Além disso, cedo Portugal e o Bangladesh estabeleceram relações diplomáticas: Portugal reconheceu o país em 1974.

Vestígios arquitectónicos, ecológicos e linguísticos revelam uma influência duradoura, apesar da aparente marginalidade no cânone histórico. Neste país emergente no Golfo de Bengala, os ecos de navios portugueses transformam-se em nomes de ruas, igrejas antigas e palavras quotidianas, lembranças silenciosas de uma era em que Portugal se estendia até à margem do vasto delta do Ganges.

Pois esta analfabeta cheganice infelizmente é coberta nas Futuralia’s e nas Qualifica’s por serviços do Estado aparentemente tão ignorantes quanto os cheganos !

Pobre capitao Pedro Tavares que nos céus so pode mostrar o seu descontentamento perante tanto analfabeto !