Na União Europeia, os alunos de Espanha, Croácia, Luxemburgo, Malta, Grécia, Roménia, Chipre e Bulgária ficam abaixo da média da OCDE em leitura, matemática e ciências.
Apenas Estónia, Finlândia, Irlanda, Áustria, Polónia Portugal e Chéquia apresentam resultados médios superiores à média da OCDE.
O ministro francês da Educação, Édouard Geffray, faka em “destruição cognitiva” dos jovens e reconhece que França precisa de agir para inverter a tendência.
“Os jovens que passam três horas por dia no telemóvel durante as aulas, que estão distraídos mais de três horas por dia, perdem o equivalente a quase dois anos letivos”, afirmou, criticando o “consumo excessivo de redes sociais”.
Numa entrevista ao diário Le Monde, Geffray apontou as escolas de ensino básico como “prioridade central do próximo quinquénio para aplicar as práticas pedagógicas mais eficazes”.
Parte das razões para esta deterioração relaciona-se com a maior digitalização, o aumento do tempo passado em frente a ecrãs e a diminuição da leitura por prazer.
“O mais preocupante é o declínio precisamente das competências que mais importam na era da inteligência artificial: avaliar informação, estabelecer ligações entre múltiplas fontes e pensar de forma crítica sobre o que lemos”, lê-se no relatório.
Entretanto, a ministra da Educação de Espanha afirmou que a falta de compreensão leitora é “a raiz de todos os problemas educativos”, depois de os estudantes espanhóis terem registado o pior desempenho desde o início dos testes PISA, em 2000.
“Temos de continuar a trabalhar a compreensão leitora, porque é a base de tudo. Se não se percebe o que se lê, é impossível resolver um problema de matemática, física, química ou qualquer outra disciplina”, declarou Milagros Tolón à rádio Cadena Ser.
Tolón reconheceu que a quebra nos resultados escolares pode estar diretamente ligada às novas tecnologias.
Isto pode ter a ver, como a OCDE já indicou, com o tempo de exposição aos ecrãs, hábitos de leitura apressados e superficiais e a crescente predominância de mensagens curtas na vida digital dos adolescentes”, acrescentou.
Indicou ainda que, desde 2024, Espanha tem promovido programas de cooperação para reforçar tanto a compreensão leitora como a matemática.
Mais de 760 mil adolescentes em dezenas de países realizaram, no ano passado, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), cujos resultados foram divulgados na terça-feira.
China, Singapura, Taiwan, Japão e Coreia do Sul obtiveram as melhores classificações. Estónia, Reino Unido e Nova Zelândia também se destacaram.
A explicação para a queda tão generalizada dos resultados poderá estar num inquérito complementar preenchido pelos alunos.
Face a 2022, praticamente todos os países registaram uma diminuição do apoio das famílias à educação das crianças, sobretudo dos rapazes, medida através de perguntas sobre a frequência com que os pais falam com os filhos sobre os trabalhos da escola ou mostram interesse pela sua aprendizagem.
Os pais veem-se mais como clientes da escola, e não como alguém que assume um interesse pessoal”, afirmou Andreas Schleicher, diretor para a educação e competências da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, que organiza o teste PISA.... nao é osdo o que dá colocar o ensino no mercado?