Ao contrário de experiências laboratoriais, esta demonstração foi realizada sobre 65 quilómetros de fibra ótica já existente, provando que a tecnologia quântica pode ser integrada em redes reais e operacionais. A iniciativa insere-se no projeto Portuguese Quantum Communication Infrastructure, alinhado com o programa europeu EuroQCI, que visa criar uma rede europeia de comunicações quânticas altamente segura.
A distribuição quântica de chaves baseia-se em princípios fundamentais da física quântica: qualquer tentativa de intercetar uma chave altera inevitavelmente o seu estado, sendo imediatamente detetada. Esta característica torna a QKD uma resposta robusta à ameaça emergente da computação quântica, que, no futuro, poderá comprometer os sistemas criptográficos atualmente em uso.
Para Mário Caldeira, Associate Partner e Quantum Leader da Deloitte, este avanço tecnológico antecipa um novo paradigma: a combinação entre comunicações quânticas e criptografia pós-quântica como base para a proteção de dados globais. Num contexto internacional marcado pela crescente digitalização e por riscos geopolíticos associados à cibersegurança, a aposta em soluções quantum-safe deixa de ser uma hipótese futura para se tornar uma prioridade estratégica.
A Warpcom, por seu lado, sublinha o impacto transversal desta inovação. Segundo Bruno Gonçalves, Business Unit Manager de Cybersecurity, investir em tecnologias de segurança quântica é essencial para setores críticos como a defesa, a banca, a saúde e a administração pública, onde a confidencialidade e a integridade da informação são vitais.
O papel do Portuguese Quantum Institute foi determinante na concretização desta ligação pioneira. Para Yasser Omar, presidente do PQI, esta demonstração abre portas à integração de Portugal na futura rede europeia de comunicações quânticas, reforçando simultaneamente a soberania digital nacional e a capacidade científica do país num domínio estratégico para o século XXI.
Mais do que um feito tecnológico, esta ligação entre Portugal e Espanha estabelece um novo padrão de segurança nas comunicações internacionais e posiciona a Europa de forma mais resiliente face às ameaças digitais emergentes. O próximo passo passa pela aplicação desta tecnologia em cenários reais de organizações e infraestruturas críticas, consolidando a transição para uma era em que a segurança da informação assenta não apenas em algoritmos, mas nas próprias leis da física.