São eles que guardam a maior parte da água doce disponível na Terra, sustentam comunidades de pescadores, inspiram poetas e oferecem refúgio a viajantes. No entanto, por trás da sua beleza serena, existe uma vulnerabilidade crescente: a poluição, o excesso de exploração e as alterações climáticas estão a ameaçar estes ecossistemas silenciosos.
A escolha da data não é aleatória. Foi a 27 de agosto de 1984 que o Japão acolheu a primeira conferência internacional dedicada ao ambiente dos lagos, no município de Shiga, junto ao Lago Biwa — o mais antigo do país. Quarenta anos depois, o mundo inteiro é chamado a recordar que esses reservatórios naturais não são apenas paisagens de postal, mas fontes de vida que precisam de ser protegidas com a mesma intensidade com que cuidamos do ar que respiramos.
Há curiosidades que tornam este dia ainda mais fascinante.
Sabia que o maior lago do mundo, o Cáspio, é tão vasto que parece um mar? Ou que em África, o Lago Vitória alimenta a subsistência de milhões de pessoas e, ao mesmo tempo, enfrenta uma das maiores crises de perda de biodiversidade? Mesmo em espaços urbanos, como em Tóquio, o Lago Okutama é uma reserva essencial para o abastecimento de água potável da capital japonesa.
Cada lago, pequeno ou gigante, guarda em si histórias humanas, mitos e segredos geológicos que nos ligam à Terra de uma forma íntima.Ao instituir este dia, a ONU não quer apenas encher agendas de datas comemorativas. Quer despertar consciências. Olhar para um lago e vê-lo apenas como um cenário de lazer é reduzir a sua importância. A água que nele repousa é a mesma que chega às nossas mesas, irriga os campos, alimenta a vida selvagem e garante equilíbrio climático.
Cada gesto de preservação — seja evitar a poluição, apoiar políticas ambientais ou simplesmente visitar com respeito esses espaços — é uma forma de retribuir o que eles nos dão sem pedir nada em troca.
Hoje, ao celebrar o primeiro Dia Mundial dos Lagos, não estamos apenas a festejar a existência destes reservatórios naturais: estamos a fazer uma escolha coletiva de reconhecer o seu valor. Tal como um lago reflete a luz do sol, esta data reflete a necessidade de cuidarmos daquilo que nos mantém vivos.
E talvez, da próxima vez que se encontrar diante de um lago, em silêncio, consiga ouvir mais do que o som da água: vai ouvir o eco de uma promessa feita à Terra, de que ainda estamos a tempo de preservar a sua beleza e a sua generosidade.