Fora o desfecho eleitoral, os votos nulos e brancos nunca atingiram valores expressivos e, desta vez, não foi diferente.

Ainda assim, o aumento dos votos em branco entre a primeira e a segunda volta — de 1,06% para 3,17% — constitui um sinal claro de descontentamento com os candidatos em presença. Do nosso ponto de vista, este acréscimo tem origem sobretudo no eleitorado da esquerda radical, que acabou por se sentir politicamente órfão após ter sido, em grande medida, deixado para trás por António José Seguro.

Apesar disso, o resultado fica aquém do máximo histórico registado nas eleições presidenciais de 2011, quando 4,26% dos eleitores optaram pelo voto em branco, num sufrágio que conduziu à reeleição de Aníbal Cavaco Silva.

Mais de 170 mil eleitores optaram por participar no sufrágio mas recusando escolher entre os dois candidatos.

O distrito de Leiria dada a crise ambiental foi  um desses casos: com  8500 votos brancos quando há três semanas, eram 3400.

Em Lisboa, os votos em branco mais do que triplicaram pois a  18 de Janeiro, foram 11.445 (0,94%) e ontem, foram 39.084 ( 3,39%).

Quanto aos  votos nulos também houve uma subida face à primeira volta, mas muito menos expressiva.

A 18 de Janeiro, houve 65.386 votos nulos e ontem o número aumentou para 97.714 votos (em percentagem subiu de 1,13% para 1,78%).

Estas duas voltas das presidenciais são das mais participadas dos últimos 20 anos, ficando apenas atrás da eleição de Cavaco Silva, em 2006 — nos sufrágios seguintes, a abstenção registada ficou acima dos 50% —, mas a taxa de participação ca muito aquém da mobilização registada em Fevereiro de 1986, quando  78% dos inscritos foram às urnas para um segundo sufrágio entre Mário Soares

e Diogo Freitas do Amaral.