Mais do que uma celebração simbólica, o evento foi uma afirmação clara do papel estratégico que os profissionais de RH desempenham e devem continuar a assumir nas organizações modernas.
“Esta atividade é uma forma de reavivarmos a nossa missão enquanto profissionais de RH. Cuidar das pessoas é apoiar o seu crescimento e ajudar a construir organizações mais humanas, justas e sustentáveis”, declarou Cláudia Vieira, em nome da organização.
Com uma intervenção marcada pela clareza e profundidade, Pedro Ramos, especialista português em RH reforçou a necessidade urgente de conciliar os interesses económicos das empresas com os valores humanos que sustentam a sua longevidade:
“Todos juntos podemos mais facilmente encontrar soluções que ajudem as empresas a resolver a equação pessoas e negócios. No fundo, trata-se de juntar aquilo que é o melhor das organizações com o melhor que cada pessoa tem para dar”, afirmou Pedro Ramos durante a sessão.
A sua participação trouxe à discussão o impacto da transformação digital, a crescente pressão da inteligência artificial e a importância crítica da liderança emocional como resposta às exigências do novo mundo do trabalho.
Ao longo do encontro, foi apontada uma dissonância preocupante: embora altamente qualificados e motivados, muitos profissionais de RH continuam a ser desvalorizados dentro das suas próprias organizações. Falta de autonomia, reconhecimento insuficiente e estruturas hierárquicas rígidas foram apontadas como os principais bloqueios ao seu desenvolvimento.
“Há profissionais com muita potencialidade, com muita capacidade, conhecimento e competência, mas continuam limitados e não conseguem desenvolver o seu verdadeiro potencial”, destacou Cláudia Vieira.
Este diagnóstico foi corroborado por vários testemunhos ao longo do evento, revelando um sentimento comum: quem cuida de todos raramente é cuidado. Por isso, os participantes apelaram a uma mudança urgente no paradigma organizacional, onde os RH deixem de ser vistos como “suporte” e passem a ser líderes estratégicos do desenvolvimento humano e organizacional.
A transformação digital e o avanço das tecnologias foram temas transversais às diferentes intervenções. Os profissionais alertaram para o risco de uma visão tecnocrática do trabalho, onde a eficiência sobrepõe-se à empatia.
“Um dos maiores desafios é desmistificar a ideia de que as pessoas serão substituídas pela tecnologia. O futuro não pode ser construído contra as pessoas”, disse o especialista Pedro Ramos, representante da empresa parceira da Kombersu RH.
O consenso foi claro: a inovação tecnológica deve estar ao serviço da humanização, nunca da sua substituição. O papel dos profissionais de RH, neste contexto, é o de conciliar ferramentas tecnológicas com práticas inclusivas, éticas e emocionalmente conscientes.
A projeção internacional do trabalho desenvolvido pela Associação kombersu RH ganhou expressão no convite feito a Cláudia Vieira para integrar o painel de oradores do CONARH – Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas, no Brasil. Trata-se de um dos maiores e mais prestigiados eventos da área na América Latina, e este convite representa não apenas um marco pessoal, mas o reconhecimento do ecossistema cabo-verdiano de RH como referência em inovação, liderança e impacto humano.
O encontro terminou com um apelo que sintetiza a essência do evento:
“Não há transformação verdadeira contra as pessoas. A mudança começa dentro, com quem cuida diariamente de todos os outros”, declarou Cláudia Vieira, encerrando a sessão.
Mais do que um slogan, esta mensagem é um chamamento à ação coletiva. Organizações que desejam prosperar não podem continuar a ignorar o papel crítico dos profissionais de RH. Devem, ao invés, investir no seu reconhecimento, na sua autonomia e na sua capacitação contínua.
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Nota do Editor
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