Posso entao dizer com toda a propriedade que a nacionalidade portuguesa tem 49/50/51 anos pois até ao 25.04.74 nao existia um país mas sim um imperio o que para os revolucionários que fizeram o 25 de abril foi/é muito dificil de aceitar porque teriam de reconhecer as derotas e empates militares nas 3 guerras coloniais
Assim, do nosso ponto de vista e recordando os Republicanos do 5.10.1910 nao haverá Lei da Nacionalidade a nao ser que se compatibilize com estes cinco seculos de História
Na realidade uma Esquerda progressista, direi revolucionaria nao aceita revisöes da Historia com aparencia de progressistas porque “adaptadas” ao pensar hodierno!
Eis porque é sobretudo escandaloso que um líder parlamentar de um partido democrático cuja raiz ate vem de uma Ala Liberal portanto imperial, o PSD, venha anunciar hoje quarta-feira, 01.04, que o seu partido chegou a acordo com o partido fascio salazarento o Chega para aprovar os novos decretos que alteram a lei da nacionalidade e o Código Penal, ultrapassando as inconstitucionalidades apontadas pelo Tribunal Constitucional.
Hugo Soares, será um garoto com péssima formação sobre o seu imperio e país e impante na ignorância fez este anúncio aos jornalistas, no parlamento.
A Assembleia da República reaprecia esta quarta-feira os decretos que pretendem alterar a Lei da Nacionalidade e o Código Penal, depois de algumas normas terem sido chumbadas pelo Tribunal Constitucional (TC).
Citemos alguns textos nao nossos nem com a nossa visao do mundo para esclarecer os Hugo Soares deste ja nao imperio!
“No tempo de D. Afonso Henriques eram três as religiões que se praticavam no reino: judaísmo, cristianismo e islamismo, hoje designadas como as religiões do Livro. Uma breve análise dos factos históricos revelam a sua tolerância religiosa. Quanto ao judaísmo, embora não haja documentação local averiguada, defendem alguns autores ser verosímil a presença de hebraica no ocidente peninsular no tempo de Estrabão (58 a. C a 25 d.C) e Filon (13 a C a 54 p. C).
…Em 711, veio uma expedição do norte de África, comandada por Tarique, desembarca em Espanha e desbarata completamente o exército do rei visigodo
…Aos cinco anos da conquista muçulmana corresponderam mais de setecentos anos de reconquista cristã. Não obstante as lutas da reconquista, operadas pelo nosso primeiro monarca, nunca as minorias judaicas e e muçulmanas deixaram de existir e de afirmar as suas diferenças culturais e religiosas. Em Lisboa, e em outras regiões, ficaram até a viver em bairros próprios (mourarias) com alcaide, eleito de entre os da sua raça e da sua fé. Com igual tolerância viviam os judeus nos seus bairros (judiarias), com as suas comunas e sinagogas. Ambos tinham juízes privativos: alcaides dos mouros e rabis dos judeus. Com o tempo, foram-se estabelecendo relações normais entre cristãos e muçulmanos na vida quotidiana que não podiam deixar de influir na formação de certos costumes comuns e na adoção por cada uma das populações, de algumas regras jurídicas da outra, no tocante ao comércio, vida económica e aos contratos. …muitos cristãos foram-se mesclando com muçulmanos e adotando trajes, usos e termos deles. Eram os moçárabes, ou seja, semelhantes aos árabes. Assim, enquanto alguns cristãos abandonavam o seu credo (os renegados, muledies), outros só na cultura e modo de viver se arabizaram (moçárabes). …Relativamente à tolerância religiosa de D. Afonso Henriques, salienta-se “a carta de fidelidade (amizade) e segurança” concedida, em março de 1170, “tomando sob a sua proteção os “mouros forros” (livres) de Lisboa, Almada, Palmela e Alcácer do Sal”. De acordo com este documento, D. Afonso Henriques garante aos muçulmanos, “a quem após a comquista fora conservada a liberdade, que nenhum dano sofreriam em Portugal e que a nenhum cristão seria reconhecido o poder de os lesar. Ficariam sujeitos apenas ao alcaide que elegessem entre os da sua fé” (cf. Portugaliae Monumenta Historica (P.M.H.)-Leges-pág. 396, Esta carta contém disposições legais definindo o estatuto da comunidade muçulmana no seio da sociedade cristã que garantia, além de outras, a liberdade de religião. Segundo a prof.ª Eva Maria Kemnitze este documento constitui uma das facetas mais ignoradas da História de Portugal (cf. Artigo publicado no Livro das Atas do 2.º Congresso Histórico de Guimarães). A história religiosa das três culturas demonstra que, em determinadas épocas e regiões (e ainda hoje), essas culturas cultivaram a intolerância religiosa, não obstante tal conduta não se enquadrar no âmbito da doutrina dos respetivos Fundadores. Tal facto confere maior importância à política do nosso primeiro monarca relativamente às três religiões.
…Na verdade, conviveram bem ao longo dos séculos, não só em Espanha e Portugal, como em Istambul (Turquia) e nos Balcãs. O seu profundo antagonismo, na atualidade, surgiu apenas no século XX e, nada tem a ver com a religião, mas sim com o conflito político entre israelitas e palestinianos, de tal modo que a relação entre judeus e muçulmanos não poderá melhorar sem se resolver o conflito israelo-palestiniano.
( in https://www.diariodominho.pt/opiniao/d-afonso-henriques-e-a-tolerancia-religiosa-172940/amp Narciso Machado )
E mais,
“Na primeira metade do século XII, os judeus conimbricenses mostram-se extremamente bem organizados. A sua Judiaria situava-se no exterior das muralhas da velha civitas, no sentido sudeste para nordeste, mas paredes-meias com elas, abrindo junto ao que, nesse século, poderá ter sido um pequeno largo/rossio fronteiro à Porta da Almedina, tendo por eixo a “via publica ebraiorum”, paralela ao declive da dita cerca da Almedina, para fechar, bem acima, no sítio da abertura da Porta Nova (fins século XII), hoje coincidente com o princípio da rua da Couraça dos Apóstolos. No seguimento dessa rua judenga, encontrar-se-ia, não muito distante, o cemitério judaico ou almocavara, citado vezes muito significativas na documentação coimbrã relativa a prédios peri-urbanos daquele período. Multiplicam-se, entretanto, os indícios de estarmos perante uma comunidade bem organizada no seu comum, enunciando os textos a “collatione Iudeorum”, o “terrenum Iudeorum”, a “almocavara Iudeorum”, aludindo-se, no princípio do século XIV, à carniçaria e à albergaria da comunidade
( https://books.openedition.org/cidehus/232, Os Judeus no Reino Português (Séculos XII-XIII))
Ou, ( em liçao aos cheganos e psd”s que recusam a História deste reino/imperio/país),
“…religião tampouco impediu contatos entre as partes, pois, apesar da indiscutível influência da Igreja, o povo português não lhes era, por princípio, hostil e não seguia à risca as proibições impostas por Roma. Quando o fazia, era sem muito empenho. As medidas de 1215, por exemplo, obrigando os judeus a se vestir de forma diferente da população e ostentar um "sinal" que os distinguisse, praticamente não foram cumpridas em Portugal.
( https://www.morasha.com.br/comunidades-da-diaspora/o-tempo-dos-judeus-em-portugal.html, O tempo dos judeus em Portugal )
E a razao não portuguesa da Expulsao dos Judeus,
No entanto, a mudança na atitude real ocorreu quando o interesse de uma futura união entre as coroas portuguesa e espanhola levou D. Manuel a contratar matrimônio com a Infanta Isabel, filha dos Reis Católicos. Uma das cláusulas do contrato de casamento era a expulsão de todos os hereges - mouros e judeus - de Portugal. Assim, em 5 de dezembro de 1496, D. Manuel assina o Édito de Expulsão que estipula um prazo de dez meses para os judeus deixarem o Reino. Aqueles que desobedecessem estariam sujeitos à pena de morte e ao confisco de seus bens. A concessão de tal prazo já sinalizava as tentativas que seriam feitas para impedir a saída dos judeus. Pois D. Manuel não queria a partida daquela minoria tão necessária à expansão ultramarina, em pleno auge, e que faria de Portugal um dos países mais ricos e poderosos da Europa.
Com a promulgação do Édito de Expulsão, apagou-se a vida das comunidades judaicas. Sinagogas fechadas, judeus impedidos de se reunir em casas de oração; todos os bens imóveis e móveis, inclusive livros e objetos religiosos, apreendidos. O rei "doa" a sinagoga de Évora ao bispo de Tânger e, a de Lisboa, confiscada pela Coroa, é "trocada" pela capela de Nossa Senhora de Belém.
( https://www.morasha.com.br/comunidades-da-diaspora/o-tempo-dos-judeus-em-portugal.html )
Uma incontestável miscegenação,
“Entre os séculos XV e XVII, Portugal viveu um intenso processo de miscigenação, com uma presença africana significativa, especialmente em Lisboa e no Alentejo, resultando em casamentos e uniões entre negros/as e brancos/as. Embora a sociedade fosse hierarquizada pela escravidão, o casamento interracial existiu, sendo moldado por fatores religiosos, sociais e econômicos.”
“ Aqui estão os pontos principais sobre esse contexto:
O cenário dos casamentos interraciais nos séculos XV a XVII em Portugal revela uma realidade complexa, marcada por dinâmicas de integração forçada, relações de poder, imposições religiosas e miscigenação biológica, fatores que contribuíram de forma decisiva para a formação da sociedade portuguesa moderna.
A documentação disponível sobre as lógicas sociais das instituições da época permite identificar três categorias distintas: por um lado, confrarias compostas quase exclusivamente por negros; por outro, irmandades mistas, onde brancos e negros conviviam; e, por fim, instituições em processo de mutação, refletindo transformações sociais em curso. Em 1584, o rei determinou que na confraria do Rosário dos Pretos de Alcácer do Sal pudessem ingressar como oficiais da Mesa confrades descritos como “homens baços e forros”, o que sugere resistência à entrada de indivíduos não escravizados ou de tez mais clara. Já no Torrão, onde existia desde 1566 uma confraria do Rosário dos Pretos na igreja matriz, a intervenção régia em 1594 veio reforçar a hierarquia interna, ao recordar aos pardos que não poderiam interferir na gestão da irmandade, cuja autoridade pertencia aos pretos, sendo a sua presença condicionada à humildade e aceitação por parte destes.
Tudo indica que o monarca reagia a uma tentativa de tomada de poder por parte dos pardos, reafirmando a sua posição subordinada. Contudo, uma década depois, observa-se uma evolução significativa: os pardos obtêm autorização para criar a sua própria irmandade sob a invocação de Nossa Senhora dos Remédios, inicialmente instalada na periferia da cidade. Em 1604, regressam à igreja matriz, onde já se encontrava a confraria dos negros, alcançando uma posição de autonomia e igualdade simbólica, não apenas face aos negros, mas também às irmandades brancas. Embora se desconheçam as condições locais exatas que conduziram a esta decisão, importa notar que este processo ocorreu durante a União Ibérica, período igualmente marcado pela perda de privilégios e expulsão da confraria dos pretos de São Domingos.
À margem dos documentos, uma anotação do escrivão sintetiza esta mobilidade institucional: “Aos homens pretos provisão para passarem hua confraria para huma outra”. A questão permanece: pretos ou pardos, qual é a diferença? A resposta reside numa sociedade em constante negociação de identidades, estatutos e poderes.
Este quadro histórico evidencia que, apesar de uma elite frequentemente influenciada por correntes externas e por dinâmicas políticas pouco enraizadas na realidade cultural portuguesa, existiu sempre um povo que se miscigenou de forma relativamente natural, ainda que não isenta de abusos e desigualdades. A miscigenação não foi apenas um fenómeno biológico, mas também social e cultural, moldando profundamente a identidade coletiva.
À luz do presente, e apesar dos esforços de figuras políticas contemporâneas, observa-se uma crise de representação das elites, que parecem incapazes de responder à complexidade histórica e social que caracteriza Portugal. A ascensão de discursos populistas evidencia essa fragilidade.
Importa recordar que, já no século XVI, figuras como Pedro Tavares estabeleceram ligações entre Portugal e regiões tão distantes como o atual Bangladesh, demonstrando que a identidade portuguesa sempre foi, em essência, aberta, plural e global. Portugal não pode ser reduzido a uma narrativa homogénea: a sua história prova que é, também, feita de encontros, cruzamentos e influências múltiplas.