Para o Presidente da República, votar não é apenas um direito - é um instrumento de poder. O voto, afirmou, "é a principal arma que o cidadão tem para não só fortalecer a democracia, mas também para defender os seus próprios interesses." Uma afirmação que coloca o eleitor no centro do processo político, não como espectador passivo, mas como agente ativo da transformação nacional.
José Maria Neves apelou a que cada cabo-verdiano analise as propostas e ideias dos diferentes atores políticos e faça escolhas informadas, alinhadas "com os sonhos, as ânsias e as expectativas de cada um." Uma democracia saudável, sublinhou, não se faz apenas com instituições fortes - faz-se com cidadãos conscientes, participativos e comprometidos com o bem comum.
Num país onde, como em muitas democracias, a abstenção tem vindo a crescer como fenómeno preocupante, as palavras do Presidente ganham particular relevância. Ao afirmar que a abstenção fragiliza a democracia e limita a capacidade do cidadão de influenciar o rumo do país, José Maria Neves lança um desafio direto à consciência coletiva: o silêncio eleitoral tem um preço - e quem o paga é a própria democracia.
A mensagem é clara: não participar não é uma forma de protesto neutro. É uma renúncia ao poder de decidir.
Questionado sobre a carta recentemente divulgada pela Comissão Nacional Justiça e Paz - dirigida a dirigentes partidários, cidadãos, sociedade civil e instituições - , o Presidente reconheceu o papel relevante da Igreja Católica na vida nacional cabo-verdiana. Destacou a sua missão histórica na promoção dos valores da dignidade da pessoa humana, da liberdade, da verdade e da defesa do bem comum.
Para José Maria Neves, é fundamental que a Igreja continue a transmitir mensagens de união, de esperança e de reforço dos valores que sustentam a liberdade, a democracia e a coesão social num país que, apesar da sua dimensão, tem sido reconhecido internacionalmente como um modelo de estabilidade democrática em África.
O Presidente da República não se ficou pelo ato de votar. Salientou que é igualmente fundamental que os cabo-verdianos participem nos debates públicos, acompanhem de perto o processo eleitoral e encarem o exercício do voto como uma expressão de cidadania responsável - e de compromisso genuíno com o futuro de Cabo Verde.
Num momento em que o mundo assiste à erosão silenciosa de várias democracias, a voz do Chefe de Estado cabo-verdiano ecoa como um lembrete essencial: a democracia não se herda - conquista-se, defende-se e renova-se a cada eleição, a cada voto, a cada cidadão que decide participar.
O processo eleitoral legislativo em Cabo Verde decorre num contexto de crescente atenção internacional ao papel dos pequenos estados insulares na consolidação da governança democrática no continente africano.
Foto de destaque: Facebook da PR Cabo Verde