"Temos a obrigação moral, ética e política de ver o que vimos aqui e ter coragem de debater com aqueles que são contra o movimento sem-terra, contra a reforma agrária, que não conhecem o sacrifício e tentam vender a imagem de que vocês são invasores de terra. Na verdade, vocês são invasores em busca de dignidade, em busca de respeito, em busca de direitos", afirmou Lula, numa crítica direta à tentativa de deslegitimar a atuação dos sem-terra. "A luta de vocês não tem nada de ilegal. A luta de vocês é para cumprir a Constituição".
O assentamento oficializado nesta quinta-feira corresponde à antiga Fazenda Brasileira, ocupada desde 2003 pela comunidade Maila Sabrina.
Após anos de despejos e insegurança jurídica, cerca de 450 famílias conquistaram definitivamente o direito de permanecer em uma área de 10,6 mil hectares, agora reconhecida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Segundo Lula, a criação do assentamento só foi possível porque houve um esforço para reestruturar o órgão federal. "Demorou um pouco porque o Incra estava totalmente desorganizado. Quando voltamos ao governo, o governo que assumimos estava muito pior. Encontramos esse país administrado da forma mais irresponsável possível, e consertar leva tempo", criticou.