Rui Tavares à Lusa nas Caldas da Rainha (distrito de Leiria), à margem de no debate "Uma Casa para Criar: uma conversa sobre o futuro dos pavilhões do Parque D. Carlos I", organizado pelo núcleo de coordenação local do Livre.
No entender do co-porta-voz do partido, "Portugal tinha das leis mais moderadas na Europa em relação a estes temas" e agora é que passa a ter "uma lei radical, porque onde outros países permitiam desde os 14 anos apenas com o consentimento dos pais, em Portugal era desde os 16 anos com o consentimento dos pais e informação médica [para alterações no registo civil]".
Os projetos-lei sobre identidade de género agora aprovados na generalidade (a que se segue a discussão na especialidade) preveem a obrigatoriedade de validação médica para a mudança de nome e género no registo civil, o que, para o Livre, "limita direitos que há anos já tinham sido conquistados por pessoas adultas".
Para Rui Tavares, a ideia de que o país tem "uma direita que, na verdade, não gosta da liberdade ficou bem patente" no fim da votação na Assembleia da República: "Utilizaram todo o tipo de expedientes regimentais - devo dizer, lamentavelmente, com uma grande inabilidade do presidente da Assembleia da República - para impedirem os partidos da oposição de fazerem uma declaração de voto."
"Vai caindo cada vez mais a máscara e ainda vai ser necessário algum tempo para que as pessoas vejam que a utilização que a direita fez da liberdade, durante estes anos, foi uma utilização absolutamente cínica", lamentou Rui Tavares.
O debate juntou cerca de 30 pessoas no Centro Cultural e Congressos das Caldas da Rainha, onde Rui Tavares defendeu que nos centenários pavilhões, para onde está prevista a construção de um hotel de cinco estrelas, seja criado "um palácio da cultura", com o espaço a acolher associações, atividades culturais e residências de artistas, entre outras atividades.