Aos jornalistas, esta manhã, em Chimoio, o porta-voz da Polícia da República de Moçambique na província de Manica, Mouzinho Manasse, confirmou que o crime aconteceu na noite de sábado (09.05), quando Anselmo Vicente, juntamente com outro membro do ANAMOLA, "regressava de uma reunião partidária" naquela cidade.
O coordenador do partido fundado por Venancio Mondlane e principal contestatário da governação em Moçambique, foi baleado em plena estrada Nacional 6 por elementos que se encontravam no interior de uma viatura e que se colocaram rapidamente em fuga, segundo a polícia, que está a investigar o crime.
Anselmo Vicente, de 38 anos e que tinha sido empossado no cargo por Venâncio Mondlane há menos de um mês, ainda foi transportado com vida ao hospital local, onde viria a falecer.
"Derramaram sangue, mas despertaram ainda mais coragem. Cada flor deixada naquele chão é um juramento de resistência. O que aconteceu em Chimoio não vai nos silenciar. A violência não vai nos fazer abandonar a luta. Podem matar pessoas, mas não vão parar o que acreditamos", escreveu hoje Venâncio Mondlane, na sua conta oficial na rede social Facebook.
De acordo com informação da organização não-governamental Decide, que monitoriza os processos eleitorais em Moçambique, só desde julho só foram contabilizados 23 "ataques a membros da oposição", do ANAMOLA, que Venâncio Mondlane fundou há menos de um ano, e do PODEMOS
Em 18 de abril, precisamente em Chimoio, ao dar posse aos coordenadores locais do ANAMOLA, Venancio Mondlane denunciou o assassinato de 55 apoiantes do seu projeto político, e o registo de 436 casos de "violência grave", afirmando que é resultado de lutar pela "verdade eleitoral".
Venâncio Mondlane apontou, o registo de "436 casos de violência grave" envolvendo o seu projeto político Anamola, criado em agosto.
"Neste momento totalizam 55 irmãos nossos deste projeto que perderam a vida, não de morte natural, assassinados. Temos 55 mártires desta nossa luta, entre os quais o primeiro mártir Elvino Dias", denunciou.