Publica-se em Lisboa uma revista em língua francesa, destinada aos muitos imigrantes que vivem nessa cidade, intitulada “Lisboète”.

O número de Junho passado analisava os Cuidados Dentários no nosso país. E o que dizem os franceses sobre a saúde oral dos portugueses. Essencialmente cinco coisas:

  1. Que não existem serviços públicos nesta área (referem que dos cerca de 12.000 dentistas existentes menos de 150 estão integrados no SNS);
  2. Que os portugueses não acedem à saúde oral (citam estudo da OCDE que coloca Portugal no 3º lugar em termos do grau de dificuldade da população a aceder a estes cuidados)
  3. Que os cuidados nesta área não são regulados com o mesmo grau de exigência da França;
  4. Que os custos dos dentistas privados são acessíveis para os rendimentos dos franceses de classe média e média baixa;
  5. Que está a aumentar o turismo de cuidados dentários de França em direção a Portugal. Isto é os cuidados dentários em Portugal não estão organizados nem disponíveis para os portugueses mas sim estão desenhados para receber estrangeiros do centro da Europa.

Vê-se um sistema do tipo colonial. Todo um cluster da área da saúde, compreendendo a formação universitária, o financiamento de equipamentos caros, a montagem de consultórios, visando servir as necessidades populações dos poderes da Europa central, ao mesmo tempo que é praticamente inacessível aos indígenas locais. É o mesmo modelo que os franceses implantaram em várias das suas antigas colónias em África, e que se pode estudar no exemplo da Tunísia em várias especialidades médicas.

 

É este modelo colonial que vemos já em embrião nas restantes áreas da medicina. Portugal começa a deixar a sua antiga posição de semicolónia para se assumir cada vez mais como simplesmente colonia, nesta União Europeia em deriva autoritária.

 

Não é seguramente o modelo que o povo português quer.