Para a Suíça, a situação é especial, pois, desde 1980, que ela representa os interesses dos EUA no Irão como potência protetora.
“O importante é que esse canal de comunicação entre Washington e Teerão permaneça aberto”, afirma Monika Schmutz Kirgöz, chefe do Departamento do Oriente Médio e Norte da África do Ministério suíço das Relações Exteriores (EDA, na sigla em alemão).
Os mandatos de potência protetora fazem parte da política externa e de paz da Suíça e têm uma longa tradição.
Eles garantem aos Estados um mínimo de contatos mútuos após o rompimento de suas relações diplomáticas ou consulares. Agora, porém, as críticas ao mandato no Irã estão se tornando mais veementes.
O parlamentar Gerhard Pfister faz parte da Comissão de Política Externa da Câmara dos Deputados. “Há anos considero que os chamados bons serviços que a Suíça reivindica para si são, na verdade, péssimos serviços prestados ao povo iraniano”, afirma.
Com o início da guerra, o mandato de potência protetora tornou-se desnecessário.
A senadora Franziska Roth (Partido Socialista) concorda com Pfister.
“O governo federal deve renunciar ao mandato de potência protetora. Esse foi o principal motivo para a Suíça agir com cautela em relação ao brutal regime dos mulás.”
Por isso, a Suíça teria renunciado a adotar as sanções da UE. “A política de apaziguamento que temos seguido até agora não leva a nada”, afirma.
A colega de partido e de comissão de Pfister, Elisabeth Schneider-Schneiter (Partido do Centro), tem uma opinião totalmente diferente. “A Suíça deve agora assumir seu papel especial e contribuir para a desaceleração do conflito como potência protetora”, afirma.
Na opinião de Schneider-Schneiter, o governo federal deveria oferecer Genebra como local de negociação para mediar entre as partes em conflito.
Na verdade, os EUA e o Irão já haviam negociado em Genebra até o último momento, sem resultado, como demonstrou o início da guerra no sábado. “Não se pode desistir agora”, diz a política.
O político do Partido do Povo Suíço (SVP), o deputado federal Roland Rino Büchel, no seiss info por outro lado, pede cautela. “Não temos nenhum papel importante a desempenhar agora. Quando as coisas se acalmarem, quando o conflito estiver chegando ao fim, então poderemos voltar a ser uma plataforma”, diz ele.
Büchel considera que o mandato de potência protetora é superestimado.
Trata-se principalmente de serviços consulares, como a emissão de vistos. “Não é um grande papel diplomático que temos desempenhado há décadas”, afirma o político de relações exteriores.
Ele considera ruim e inútil fechar os canais de comunicaçã lá o, como exigem outros políticos.