Nuno Melo afirma que não "reage nada mal ao escrutínio", mas sim à mentira
À TSF, o governante começa por sublinhar que as acusações feitas pelos presidente e deputado do Chega assentam numa notícia de um jornal online que nem a "preocupação de escutar o visado" ou "estudado minimamente os factos" teve.
Em causa está uma notícia publicada na sexta-feira pelo jornal online 24Horas sobre a aquisição de três fragatas ao fabricante italiano Fincantieri, por 3,9 mil milhões de euros, na qual é referido que um alegado afastamento da empresa portuguesa NTG, que participaria como intermediária da operação, levou a uma perda, para essa empresa, de 90 milhões de euros em comissões.
Nuno Melo nega categoricamente que a NTG tenha intermediado as negociações com a empresa italiana e tenha sido "arredada" do negócio antes da assinatura do contrato.
"Isso simplesmente nunca existe. Porque quem conhece o SAFE sabe que o SAFE assenta num processo entre Estados, onde empresas não participam. O relacionamento de Portugal é com o Estado italiano e com a OCCAR, que é uma organização em que seis países europeus estão em permanente desenvolvimento e produção de armamento. E sempre através das direções-gerais. Portanto, não houve intermediários neste processo. Não existe! Isso não existe! É absurdo! É falso! É uma mentira!", sublinha.
Na sequência desta notícia, o Chega partilhou nas suas redes sociais um vídeo de André Ventura a pedir uma investigação sobre o destino de "várias dezenas de milhões" de euros que, segundo disse, deviam ter sido usados para pagar comissões.
"Que o dinheiro da defesa neste negócio e nos próximos não possa ser um bar aberto para corrupção, e nós lembramos de muitos outros negócios: de submarinos para a frente. E não queremos que isso volte a acontecer", ouve-se ainda no mesmo vídeo.
O deputado Pedro Frazão, num vídeo publicado nas redes sociais, reagiu à notícia falando de "mais um escândalo" do Governo e de um negócio associado a "sérias dúvidas de honestidade e de integridade".
"Parece que estes governos da AD, quando entregam o Ministério da Defesa ao CDS, no fundo é para mais negociatas", afirmou.
Agora, Nuno Melo espera e desafia André Ventura a ter "coragem" de afirmar publicamente que é o "primeiro interessado em demonstrar a veracidade daquela sua especulação", que considera ser "simplesmente miserável". Assim, por considerar "tão grave o que aconteceu" e "tão sintomática esta manipulação tão viva no seu propósito", justifica a decisão de avançar com um processo judicial com a crença de que os tribunais são a "única forma" de garantir que "alguma justiça possa ser feita".
"Quando o debate político extravasa o que é normal, assenta na mentira e, em cima disso, usando da eficácia de redes sociais, manipulando a opinião pública, chega-se de facto ao momento em que a única solução é a via judicial. E espero que, a este propósito, o presidente do Chega e o deputado Pedro Frasão não se acobardem debaixo da figura da imunidade parlamentar. Devem assumir as suas declarações e demonstrar cada uma das palavras preferidas. É isso que é suposto em democracia", dispara.
Responde ainda às mais recentes críticas feitas pelo presidente do Chega, que afirmou esta segunda-feira que a decisão de Nuno Melo de o processar, bem como ao deputado Pedro Frazão, demonstra "opacidade e arrogância" e revela que o Governo "reage mal ao escrutínio".
"Eu não reajo nada mal ao escrutínio. Reajo mal é à mentira, à falsidade, à falta de princípios e de valores, à forma como se extravasa o normal combate político para se lançar pessoas e entidades na lama, sabendo-se que o que se diz é absolutamente falso", esclarece.
Nuno Melo aponta ainda o dedo ao que diz ser a "forma de fazer política" de André Ventura e o "carimbo" que está "chapado em cima de cada prática" do líder do Chega: "É tudo aquilo que de mais depurável hoje arrasta grande parte da ciência para o fundo, e com isso eu não tenho que me conformar e reajo. E, no caso, reajo judicialmente. Eu conformo o combate político, vejo o escrutínio, mas deploro a mentira", assume.