A decisão para esconder o recuo não menciona países, mas vem  depois de  meses de negociações técnicas nas quais o Brasil argumentou que os EUA não produzem esses bens em escala suficiente, fazendo das tarifas um fator adicional de custo e pressão inflacionária para a indústria e o consumidor estadunidense.

E assim o  novo Anexo II da Executive Order 14257 elimina tarifas sobre itens centrais ao agronegócio brasileiro.

Café verde e solúveis, sucos cítricos, derivados de cacau, mangas, melões, especiarias, tomate industrializado, carne bovina e tipos de fertilizantes passam a entrar nos EUA sem as tarifas  impostas no início do ano. Washington teve pois de recuar  dada a escassez doméstica e na alta procura por produtos dependentes de clima tropical. Para Brasília, a decisão reconhece o papel estrutural do Brasil como estabilizador de cadeias de fornecimento globais.

Negociadores brasileiros afirmam que a isenção dá “escala e previsibilidade” num momento de forte competição internacional por segurança alimentar. Analistas de comércio exterior acentuam que se  “reduz atritos no fluxo bilateral e premia países capazes de fornecer bens essenciais sem substitutos domésticos”.

O governo Lula avalia ainda que o alívio tarifário fortalece o rendimento no meio rural  e consolida o Brasil como fornecedor indispensável ao mercado estadunidense.

Houve pois uma recalibração do protecionismo estadunidense : medidas rígidas para setores ligados à segurança nacional, e abertura direcionada para consumos  agrícolas tropicais que os EUA não conseguem produzir. Para o Brasil, o acesso ao maior mercado consumidor do mundo cresce  quando compradores globais concorrem  por fornecedores confiáveis de café, cacau e carne — setores nos quais o país lidera em escala e eficiência.