Ela  foi uma bailarina italiana. que se fixou no Brasil em 1849, e como bailarina viu as suas apresentações se tornaram verdadeiramente opulares no Rio de Janeiro; ao ponto do seu nome entrar para o vocabulário do português brasileiro ( e nao só) como sinonimo de confusão.

Baderna desde cedo teve inclinação para a dança, e aos doze anos fez sua estreia nos palcos em Piacenza  e tornou-se membro do corpo de baile do Teatro Alla Scala de Milão.

Marietta era considerada uma das maiores bailarinas da Europa já na adolescência, arrebatando as plateias dos principais teatros da Itália e da Inglaterra.

Em 1847 apresentou-se na Inglaterra, com  uma temporada de sucesso no Covent Garden.

Voltando para a Itália, o clima político obrigou-a a deixar o país até porque ja jovem, Maria Baderna contribuia financeiramente para as conspirações republicanas patrióticas e pela unificação pois ela ela e o seu pai eram seguidores de Giuseppe Mazzini, maçon republicano e carbonario líder do movimento republicano, derrotado pelos monarquistas e austríacos após a revolução de 1848.

Para fugir às represálias, ela e o pai, médico e músico que tinha participado das revoltas, se auto-exilam no Brasil, desembarcando no Rio de Janeiro no começo de agosto de 1849.

Baderna desembarcou no Brasil em 1849, aceitando um convite para se apresentar com sua companhia no Teatro São Pedro de Alcântara (atual Teatro João Caetano).

As suas apresentações foram incorporando danças afro-brasileiras, como o lundu, a umbigada e a cachucha, e apesar de serem consideradas "escandalosas" para a sociedade escravista brasileira, faziam sucesso, garantindo-lhe um grupo de jovens fãs ardorosos.

As manifestações exaltadas desses fãs garantiram-lhes o nome de badernistas, e a palavra baderna tornou-se sinônimo de beleza e, mais tarde, de confusão ou tumulto.

Alias Baderna vhegava a participar de danças ao ar livre, em locais como o Largo da Carioca, com os próprios escravos o que era um escândalo para a sociedade escravagista e hipocritamente sexofóbica, como diz seu biógrafo, o jornalista italiano Silvério Corvisieri, refere.

Marietta  Baderma  e os fãs revoltados eram defendidos por figuras como o escritor José de Alencar e o respeitado poeta e editor Francisco de Paula Brito.

Era alvo de discriminação e por isso sofria represálias nas óperas, a sua dança era deixada para o final ou então não renovavam o seu contrato.

Por tal os  jovens fãs radicalizavam; e para protestar contra a direção dos teatros, boicotavam os espetáculos, ou faziam pateadas, interrompendo espetáculos e fazendo manifestações ainda mais radicais.

Viúva aos 34 anos, passa um tempo fora dos palcos e em 1862 viaja para a França, apresentando-se no Théatre imperial Châtelet (em Paris) com Les Clowns Du Diable, na opereta Rothomago, o país das fadas, e em o Grand Ballet Des Dentelles e no Grand Théatre de Bordeaux. Ao retornar ao Brasil é contratada para a temporada de 1864-1865 e brilha nos tablados brasileiros até 1871.

Aposentada dos palcos, Marietta Baderna ministra aulas de dança para moças no Rio de Janeiro até 1889.[6][8]

No Rio de Janeiro Baderna constituiu família com o MaestroGioacchino Giannini (Joaquim Giannini), deixando quatro filhos quando de seu falecimento - Antonio, Henriqueta, Fanny e Mario; foi sepultada no Cemitério de São Francisco Xavier no dia 4 de janeiro de 1892.

 

Deixamos um poema de Castro Alves talvez dedicado a Maria Baderna

 

Maria

ONDE VAIS à tardezinha,

Mucama tão bonitinha,

Morena flor do sertão?

 

A grama um beijo te furta

Por baixo da saia curta,

Que a perna te esconde em vão...

 

Mimosa flor das escravas!

O bando das rolas bravas

Voou com medo de ti!...

Levas hoje algum segredo...

Pois te voltaste com medo

Ao grito do bem-te-vi!

 

Serão amores deveras?

Ah! Quem dessas primaveras

Pudesse a flor apanhar!

E contigo, ao tom daragem,

Sonhar na rede selvagem...

À sombra do azul palmar!

 

Bem feliz quem na viola

Te ouvisse a moda espanhola

Da lua ao frouxo clarão...

Com a luz dos astros — por círios,

Por leito — um leito de lírios...

E por tenda — a solidão!