No interior da ilha de Santiago, longe do ritmo urbano da capital Praia, existem lugares que revelam a verdadeira alma de Cabo Verde.

Um desses lugares é o Village São Jorge, um espaço turístico e cultural localizado numa das zonas rurais mais emblemáticas da ilha, onde natureza, tradição e hospitalidade se encontram.

Mais do que um simples espaço de lazer ou restauração, o Village São Jorge tornou-se um ponto de encontro entre visitantes, cultura local e a vibrante identidade cabo-verdiana. Foi precisamente isso que um grupo da diáspora cabo-verdiana descobriu numa visita realizada em junho de 2025, num dia que muitos recordam como um dos momentos mais marcantes da sua passagem por Santiago.

Um encontro entre a diáspora e a cultura de Cabo Verde

Era um dia luminoso de junho quando um grupo de A Diáspora, alguns residentes em Portugal, França, outros no Reino Unido, Angola, decidiu visitar o Village São Jorge durante uma deslocação pela ilha.

O objetivo inicial era simples: conhecer um espaço de referência na região e partilhar um momento de convívio. Mas rapidamente se percebeu que o que estava preparado seria muito mais do que uma simples visita.

À chegada, o grupo foi recebido de forma calorosa pela equipa do espaço, liderada por Susete Moniz, num ambiente onde a hospitalidade cabo-verdiana se fazia sentir em cada gesto e em cada simpatia.

O som do batuque a ecoar pelo vale

O momento mais marcante da receção aconteceu poucos minutos depois. O som profundo dos tambores começou a ecoar pelo espaço. Um grupo de batucadeiras, vestidas com trajes tradicionais, iniciou uma atuação vibrante que rapidamente envolveu todos os presentes.

O batuque, um dos géneros musicais mais antigos de Cabo Verde, tem uma forte ligação à história e à resistência cultural das mulheres cabo-verdianas. Originário da ilha de Santiago, este ritmo ancestral combina percussão, canto e dança, criando uma expressão artística profundamente identitária.

Para muitos membros da diáspora presentes naquele dia, ouvir o batuque naquele contexto foi um momento de forte emoção. Era mais do que música. Era memória, pertença e identidade.

Uma mesa que celebra a gastronomia cabo-verdiana

Depois da música veio outro momento central da cultura cabo-verdiana: a partilha à mesa.

No Village São Jorge, a gastronomia assume um papel essencial na experiência dos visitantes. Nesse dia, a equipa preparou uma seleção de pratos e iguarias tradicionais que surpreendeu e encantou todos os presentes.

Entre os sabores que marcaram o encontro estavam pratos típicos da culinária cabo-verdiana preparados com ingredientes locais e frescos.

Peixe, carnes tradicionais, especialidades regionais e sobremesas caseiras compunham uma mesa que rapidamente se transformou num verdadeiro momento de celebração.

As conversas prolongaram-se entre gargalhadas, música e histórias partilhadas. Muitos confessaram sentir algo raro no turismo contemporâneo: a sensação de estar a viver um momento genuíno da vida local.

Um espaço que valoriza cultura, natureza e comunidade

O Village São Jorge não é apenas um espaço turístico. É também um projeto que valoriza a cultura e as tradições da ilha de Santiago.

Localizado numa região rural marcada por paisagens montanhosas e vales agrícolas, o espaço procura integrar a experiência turística com elementos culturais e comunitários.

Este tipo de iniciativa tem vindo a ganhar importância em Cabo Verde, onde cresce a aposta num turismo que valoriza a identidade local, a gastronomia, a música e a interação com as comunidades.

Em vez de experiências padronizadas, lugares como o Village São Jorge oferecem algo diferente: uma ligação real com o território.

Quando o turismo se transforma em encontro

Para o grupo da diáspora que ali esteve naquele dia 29 de junho de 2025, a visita ao Village São Jorge tornou-se uma experiência difícil de esquecer.  Não foi apenas a música, nem apenas a comida, nem apenas a paisagem. Foi sobretudo a forma como todos foram recebidos. 

Porque em Cabo Verde existe uma palavra que resume tudo isso: morabeza. E nesse dia, entre batuques, sabores e sorrisos, essa palavra ganhou vida., e eu tive a felicidade de ser um dos participantes dessa experiência única de um grupo espetacular.

 

     

 

 


“A identidade de um povo vive na sua cultura, na sua música e na sua forma de receber o outro.”
Amílcar Cabral


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